Para Ratinho Junior, a greve não é o início de diálogo. A greve é o último recurso”

Pedro Ribeiro


 

“A greve não é o início de diálogo. A greve é o último recurso”. Este é o pensamento e posição firmada pelo governador do Estado, Ratinho Junior, ao se referir ao movimento grevista dos funcionários públicos, iniciado nesta terça-feira (25). Sensível à situação dos servidores, liderados pelos professores e incluindo os policiais militares e civis, o governador, embora tenha afirmado que não pode, por questões da Lei de Responsabilidade Fiscal e falta de caixa, conceder o reajuste, volta a sustentar que sempre esteve aberto ao diálogo.

O que as lideranças do movimento de paralisação afirmam é que o governador não participou de nenhuma reunião das diversas realizadas sobre a questão da reposição de 4,94% da inflação e do reajuste data-base. Em relação ao que chamam de “desprezo” por parte de Ratinho Junior, o Palácio Iguaçu justifica que em todos os encontros foram enviados assessores e técnicos das respectivas áreas para encontrar uma saída boa para os dois lados, inclusive o próprio vice-governador Darci Piana teria participado de encontros.

O que o governador tem que ter, em mãos, são informações passadas por seus assessores traçando um quadro sobre a situação, o que aconteceu. Diante disso, a recusa, no momento, pelo reajuste, mas nunca pelas negociações e diálogo, informam fontes do Palácio Iguaçu. “Não posso conceder reajuste agora, mas estamos estudando e quem sabe daqui a um mês, dois meses ou até um ano aí poderemos atender. É questão econômica e de lei fiscal”, justificava o governador.

Agora, com a greve, o governador ainda insiste em manter o diálogo. Sobre as informações de que o governador Ratinho Junior teria cancelado encontro com lideranças do movimento grevista, publicado em alguns jornais e sites, o Palácio Iguaçu informa que Ratinho Junior nunca marcou agenda, portanto, não tinha como cancelar.

O que sabemos, por fontes da Polícia Civil, que o governador, através de sua assessoria, pediu um prazo para negociação, o que foi aceito. Já o Fórum de Entidades Sindicais que comanda o movimento dos servidores públicos não teria recebido nenhum sinal de fumaça ou bandeira branca do Palácio Iguaçu. Portanto, optaram pela paralisação, o que não agradou o governador.

Quando assumiu o Governo do Estado, dia primeiro de janeiro de 2019, o então deputado estadual, Ratinho Junior (PSD, sabia que teria um grande desafio pela frente, principalmente em relação à sua casa, a Assembleia Legislativa, onde impera o jogo político de acordos e alianças. Isto é histórico no país e funciona em maior grau de intensidade no Congresso Nacional. Depois das costuras, amarras com partidos, lideranças políticas do Estado e ataques da oposição, Ratinho Junior chegou ao Palácio Iguaçu.

Agora, depois de promover reformas e enxugamento da máquina, com o objetivo de colocar o Estado nos trilhos do crescimento e desenvolvimento, o governador anunciou investimentos de R$ 40 bilhões para os próximos três anos e geração de 500 mil empregos. Desses 40 bilhões, perto de R$ 34 bilhões são de renúncia fiscal, com o apurou a reportagem do Paraná Portal.
Ratinho Junior enfrenta, portanto, seu primeiro grande desafio: greve dos professores (servidores públicos). É possível que ela já tinha conhecimento antecipado de que isso iria acontecer, pois acontece em todos os inícios de governo.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="634951" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]