Paraná contabiliza 38 feminicídios em 2019

Pedro Ribeiro


 

Mesmo com rigor severo da Justiça, o feminicídio avança no país como se as pessoas que o praticam não tivessem medo da punição. Assistimos, diariamente, nos telejornais e ouvimos nas rádios,  o aumento da violência contra a mulher, indiferente às ações policiais para frear este covarde ímpeto. No Paraná, o Governo do Estado, vem reforçando a orientação para que as vítimas de abuso denunciem e busquem medidas protetivas.

O feminicídio é o último estágio de uma violência que progride com o passar do tempo. A maioria dos casos mostra que existiu um caminho longo até resultar no ato final, que é o assassinato, ou a tentativa de matar a mulher.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Paraná mostram que no primeiro semestre deste ano foram registrados, em todo o Estado, 38 feminicídios.

São 20 Delegacias da Mulher, distribuídas por todo estado para orientar e dar proteção a mulheres ameaçadas de morte ou as que sofreram algum tipo de violência por parte do marido, companheiro ou de qualquer pessoa do sexo oposto. A delegada e coordenadora dessas delegacias, Márcia Rejane, explica que estes são os locais mais indicados para que vítimas de qualquer forma de violência possam buscar ajuda e orientação logo ao primeiro sinal de abuso.

Segundo a delegada Rejane, desde 2015, data em que a modalidade de crime de “feminicídio” foi aprovada na legislação brasileira, o Governo não tem medido esforços para que os casos de abusos contra mulheres sejam, cada vez, mais relatados e apurados. “Esses crimes já ocorriam anteriormente, mas não eram classificados da forma correta, como ocorre agora. Isso demonstra a preocupação do Paraná em saber do problema para poder combatê-lo da melhor maneira”, diz ela.”

A delegada ressalta a importância de incluir os homens e adolescentes nos debates sobre o assunto. “ “Temos uma sociedade patriarcal, onde meninos aprendem que devem resolver muitos problemas com o uso da força. Devemos orientá-los e consciencializá-los para que entendam que existe igualdade entre os gêneros. E estamos caminhando para intensificar isso a cada dia””, diz Rejane. Ela completa que toda a sociedade deve estar inserida na prevenção desse crime e que quando todos prestam a atenção em casos de abusos, “a chance de um feminicídio se concretizar é diminuída”.

A Lei Maria da Penha deu poderes para que a autoridade judicial possa aplicar uma longa lista de medidas que visam salvaguardar a integridade física e psicológica da ofendida. No caso da falta de uma autoridade judicial no município, essa medida poderá ser aplicada pelo Delegado de Polícia, e na falta deste, um policial aplicá-la. Nestas duas últimas hipóteses, a autoridade judicial deve ser avisada em 24 horas e poderá decidir em manter a medida, ou extingui-la.

Segundo a delegada Márcia Rejane, a retirada da família de sua residência é a última alternativa do poder público. ““Temos inúmeras formas de evitar que a vítima fique a mercê do agressor e o descumprimento de qualquer dessas medidas possibilita a sua detenção. A retirada de uma família do lar é sempre evitada, mas quando necessária, trabalhamos para que o processo tenha o prazo mais curto possível”, diz ela”.

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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