Prefeitura repassa R$ 31 milhões para empresas de ônibus

Pedro Ribeiro

TCE ônibus curitiba suspensão transporte

No círculo íntimo do prefeito Greca já se fala abertamente
em fazer uma “operação de salvar o setor de transporte”

 

O prefeito Rafael Valdomiro Greca autorizou a Secretaria Municipal das Finanças aportar mais de R$ 31 milhões no Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), criado para pagar pelos serviços das empresas do transporte público. Mesmo estando convalescente, Greca foi ágil em garantir um novo aporte de recursos para compensar a grande “famiglia” que domina por décadas o transporte da cidade. O documento foi publicado no diário oficial da última sexta-feira.

Um crédito suplementar de mais de R$ 15 milhões foi aprovado pelo prefeito para pagar pelo gerenciamento e manutenção do sistema de transporte de Curitiba. Além desse repasse, há o pagamento de outra quantia de mais de R$ 15 milhões para tarifas e outras despesas operacionais. As duas cotas somam R$ 31,48 milhões.

OPERAÇÃO SALVAMENTO

Dentro da prefeitura já se fala abertamente em fazer uma operação de salvar o setor do transporte público, que chora perdas por causa da pandemia do Covid. Em 2020, Greca conseguiu aporte do governo estadual e cortou alguns programas municipais para repassar mais de R$ 120 milhões para as empresas do transporte público. Em 2021, essa operação será mais complicada diante da queda de arrecadação.

A Urbs não tem grandes alternativas para segurar artificialmente o preço da tarifa de ônibus em R$ 4,50. Hoje a tarifa técnica, que calcula o preço real do custo de passageiro, já chega próximo de R$ 6,00, em função das altas do combustível e derivados de petróleo, além do custo de peças.

REPOR A DIFERENÇA

Greca sabe que precisa repor a diferença entre a tarifa na catraca e a tarifa técnica. Com medo de ter uma reação da população, a ordem é buscar dinheiro para evitar um aumento no valor da tarifa. A Urbs já fez mudanças na forma de pagar as empresas, passando o pagamento de passageiro por quilômetro rodado, para apenas por quilômetro rodado pelo ônibus.

Se fizer mais que essa medida administrativa, o presidente da Urbs,  Ogeny Maia, pode ter que se explicar judicialmente. Por isto, agora quem deve desarmar essa bomba relógio será o secretário municipal das Finanças, Vitor Puppi, que terá que buscar mais recursos para segurar mais um ano a tarifa do transporte público.

 

Aroldo Murá é jornalista

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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