Prejudicada com perda de receitas turísticas, Morretes quer volta do trem de turismo durante a semana

Pedro Ribeiro



 

 

Além de não contribuir absolutamente em nada com o município de Morretes, a não ser provocar transtornos com manobras, a empresa Rumo, concessionária da linha férrea que faz o transporte de cargas de Curitiba a Paranaguá, acabou suspendendo a operação diária do trem de turismo da Serra Verde aquele município, prejudicando a economia como um todo em especial aos restaurantes da cidade.

Nesta quarta-feira, em audiência pública realizada na Assembleia, numa iniciativa do deputado estadual Ney Leprevost, foi discutida a volta do trem de turismo diário a Morretes. De acordo com o deputado, em 15 dias deverá haver uma definição sobre a possibilidade do retorno do transporte diário de passageiros nas linhas de trem entre Curitiba e Paranaguá.

A Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), a empresa Rumo Logística, responsável pelo escoamento da produção até o Porto de Paranaguá, e a Serra Verde Express, concessionária responsável pela linha de turismo na região deverão, nas próximas semanas, solucionar o impasse e apresentar alternativas para reativar o transporte não apenas nos finais de semana e feriados, como vem sendo feito.

Vamos fazer esta mediação e dar efetividade naquilo que for preciso, considerando pontos contratuais e o melhor atendimento da população, do turismo e também considerando o aspecto econômico e social. Acredito que neste prazo já conseguiremos fazer uma composição”, disse o superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, João Paulo de Souza.

Autoridades dos municípios de Morretes e Paranaguá, comerciantes e diversas entidades de moradores estiveram na audiência púbica no Legislativo e ressaltaram os prejuízos econômicos e sociais da suspensão do transporte diário de trens. “O trem é importante para o município, até mesmo com o transporte de passageiros, porque sabemos que o litoral tem um potencial enorme e depende deste turismo. Precisamos da reativação do trem”, afirmou o vice-prefeito de Paranaguá, Arnaldo Maranhão.

O impacto da redução drástica do acesso ao litoral pela linha férrea, na opinião do vereador Júnior Blindaroli, de Morretes, já é sentido e traz muitas preocupações. “Estamos aqui mobilizados pelo pleito da população, pois o reflexo no comércio já apareceu, com vários empreendimentos fechando as suas portas, pessoas sendo demitidas, porque vivem do turismo”.

O presidente da Serra Verde Express, Adonai Aires de Arruda, explicou que a maior demanda ocorre entre os meses de dezembro a fevereiro e nos meses de junho e julho, quando as operações são diárias, e que dados da companhia sinalizaram para uma diminuição na procura nos demais períodos, o que justificou a redução da linha para tão somente os finais de semana.

O transporte diário representa menos de 1% da nossa atividade. Mais de 80% dos usuários são estrangeiros, que querem conhecer o nosso litoral. Além do mais, houve judicialização de pontos contratuais que precisam ser cumpridos. No entanto, nos colocamos à disposição para revermos essa operação ou acharmos alternativas de viabilidade”.

A possibilidade de compatibilizar o transporte de cargas com a utilização pelos passageiros foi um dos pontos abordados pela gerente de relações governamentais da Rumo Logística, Giana Custódio. “A Rumo faz o transporte de cargas. E para que pudessem operacionalizar o transporte de passageiros, nos parece que seria necessária uma compatibilidade no transporte, para atender as duas demandas. Voltamos a discutir estes pontos com a ANTT, entretanto todos os pontos e possibilidades contratuais já foram discutidas em outras oportunidades”.

O Ministério Público estadual também está acompanhando a situação. Na opinião do procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, o funcionamento da linha precisa ser do dia 1º de janeiro até o dia 31 de dezembro. “É preciso parar com essa enrolação de prazos para resolver. A janela de operação tem que ser diária, garantindo a acessibilidade da população ao meio de transporte que é mais antigo que todos aqui. Portanto, o funcionamento deve ser diário e ponto final. Qualquer coisa diferente disso é desrespeito à Constituição e ao cidadão”.

A promotora de Justiça de Morretes, Dalva Marin Medeiros, informou que um procedimento administrativo já foi instaurado para apurar e acompanhar a situação. “Além da questão comercial, temos efeitos sociais de forma direta e indireta. Muitos já perderam o emprego, a arrecadação do município cai. Portanto, temos uma situação bem delicada e que precisa ser resolvida de forma definitiva”.

 Para o deputado Ney Leprevost, a audiência pública foi importante instrumento para superar os entraves acerca do transporte de passageiros. “Sabemos o quão importante é o turismo para o nosso litoral e que o desenvolvimento destes municípios depende dele. Por isso, entendo que já demos um passo importante estabelecendo um prazo para resolver o impasse. Caso não seja possível, buscaremos outras formas. Mas pela presença efetiva da população e dos mais variados segmentos aqui na Assembleia, já foi possível perceber a relevância do tema”.

 

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.