Pressão desumana com armas em punho

Pedro Ribeiro


 

Muito se fala na morte do bandido, do marginal sanguinário, impiedoso, que assalta a residência, o banco, mata no sinaleiro ou na rua. A mídia, com seus canais especializados, noticiam diariamente a morte do bandido tal, que foi fulminado por dezenas de tiros disparados pela força policial. Essa mesma mídia que vai ouvir os familiares do cruel assassino e lamenta ao lado da família, dificilmente é vista no funeral de um policial, morto por um bandido.

Dia desses, a mídia acabou dobrando os joelhos depois de tomar conhecimento, por meio de estatísticas, do grande número de policiais que morrem no exercício da profissão e daqueles que tiram a própria vida devido ao estresse de quem sai de casa pela manhã e não sabe se retorna ao lar após o trabalho. A tensão se torna cada vez maior a cada momento em que o rádio patrulha avisa sobre roubos e tentativas de homicídio. Quem assistiu aos filmes Tropa de Elite pode observar o alto grau de tensão em que vivem estes militares.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro dsse neste início de semana que o alto índice de suicídios entre os policiais está relacionado à “pressão desumana” que os profissionais são submetidos, além do fato, do Estado não ter condições de ampará-los de uma forma mais adequada.

O pessoal que trabalha na segurança pública muita vezes está submetido à pressão desumana, “refletida nos altos índices de suicídio de agentes policiais. Isso realmente é muito preocupante, mas estamos atentos a essa questão”, pontuou o ministro.

Dados recentemente divulgados pelo 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado104 policiais cometeram suicídio, número superior aos casos de  mortes durante o horário de trabalho, em situações de confronto com o crime, onde 87 perderam a vida.

O levantamento mostra que 343 policiais civis e militares foram assassinados no ano passado. Deste total, 75% dos casos ocorreram quando estavam fora de serviço, e não durante o combate à criminalidade.

A ação da polícia foi responsável por 11, de cada 100 mortes violentas intencionais em 2018, o que mostra que 6.220 pessoas morreram após intervenção policial, uma média de 17 pessoas mortas por dia. O perfil das vítimas repete a situação encontrada em outros anuários: 99,3% eram homens, quase 78% tinham entre 15 e 29 anos, e 75,4% eram negros.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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