Previsão econômica e política para 2019 na visão do professor Pio Martins

Pedro Ribeiro


A mudança de governo mexe com a economia do país. A expectativa, embora seja da própria população que sonha com emprego e aumento de sua renda, as análises vêm, na sua maioria, de fora do país e o primeiro e se manifestar é o Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos maiores interessados. O anúncio da equipe econômica do novo governo é o termômetro para se apostar se vai dar certou ou não. Para o FMI, 2019 haverá uma expansão de 2,4% no Produto Interno Bruto (PIB), enquanto analistas do mercado acreditam que em 2018 fecha com crescimento de 1,76% este ano e em 2,7% em 2019.

Para o Brasil voltar a crescer, gerar emprego e renda, como todos desejam, será preciso concentrar ações na redução fiscal, simplificar a carga tributária, desengessar o orçamento, promover a reforma da Previdência e fomentar a entrada de capital estrangeiro, além da redução da dívida.Com isso, a inflação deve ceder ainda mais, dos atuais 4,5%, o desemprego pode cair dos absurdos 13 milhões de desempregados hoje e a taxa de juros poderá ficar em 8% no próximo ano, o que esses mesmos analistas consideram um número razoável.

O Paraná Portal buscou os conhecimentos do professor e reitor da Universidade Positivo, economista José Pio Martins, para uma avaliação do que poderá acontecer a partir do novo governo tendo, à frente, um capitão do Exército, de extrema direita, e uma equipe que comandará a área econômica conhecida como competente por áreas afins. Veja a entrevista:

– Como o senhor avalia a nova equipe econômica do governo federal?

R: A começar pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, os nomes anunciados até agora, inclusive para o segundo escalão, são todos bem formados, com sólidos conhecimentos teóricos e experiência no mercado. A se medir o desempenho por conhecimento e prática, dá para ter esperança de boa gestão macroeconômica.

– Na sua opinião, quais as frentes que esta equipe deve atacar para colocar o país nos trilhos?

R: Os maiores problemas do Brasil são três: (a) a necessidade urgente de fazer o Produto Interno Bruto voltar a crescer na faixa de 3% ao ano; (b) a reorganização e reequilíbrio das contas públicas nas três esferas da federação; (c) a elevação dos investimentos do governo em infraestrutura física. Esses são os problemas mais emergente no curto prazo. A longo prazo, é preciso fazer reforma das duas previdências, a privada e a pública, e a reforma tributária.

– O senhor pode comentar sobre os principais problemas econômicos. Dívidas, déficit fiscal, orçamento e questão previdenciária?

R: Primeiro, o país tem que parar de ter déficit fiscal crônico, ou seja, déficit que se repete todos os anos. Segundo, a dívida pública bruta está em seu nível máximo, e tem de parar de aumentar. A reforma das previdências é necessária tanto pelas mudanças estruturais na demografia, mais especificamente o envelhecimento da população, como é necessária para parar de apresentar déficits no INSS e na previdência dos servidores públicos.

– Qual sua previsão para que o Brasil volte a crescer com PIB de 1% a 2%?

R: É possível, desde que o governo ganhe credibilidade, faça as reformas, controle as contas fiscais, amplie a abertura da economia para o exterior e tome medidas para desburocratizar a abertura e fechamento de empresas.

 Quais as reformas que o senhor acha prioritárias para o país começar a se mover novamente?

R: O Brasil está carente de reformar tudo que é estrutural: Previdência Social privada (INSS), Previdência Social dos funcionários públicos; ampliar a inserção internacional; mudar a estrutura do gasto público; e modificar o manicômio tributário no qual o país mergulhou. O governo não escapará da obrigação de enfrentar essas questões, pois elas se imporão.

– Como o senhor acha que o executivo negociará com o legislativo?

R: A democracia é uma organização de caráter essencialmente político. Assim, os poderes são independentes e devem ser harmônicos entre si. O sistema de legislação, execução e julgamento prevê o que é a essência da política: a necessidade de negociar projetos e apoios. Nesse sentido, o governo terá mais chance de ser bem-sucedido quanto mais for capaz de negociar com os demais poderes. O mesmo vale para o parlamento que, se entender o recado das urnas, perceberá que a população não quer mais fisiologismo, demagogia, corrupção, impunidade e desperdício de dinheiro público.

– No que o senhor apostaria?

R: Vivemos atualmente três crises: a política, a econômica e a jurídico-moral. A sociedade mostrou de forma cabal nas urnas que está esgotada, cansada e impaciente com esse quadro geral. Isso me leva a crer que o governo possa começar a mudar a forma de fazer política e de gerir os negócios públicos. Não creio em milagres nem em soluções rápidas. Mas creio no início de um tempo melhor para o país.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal