PT agoniza com prisão de Lula e Gleisi é o terceiro poste

Pedro Ribeiro


 

Essa senhora, Gleisi Hoffmam, deputada, ex-ministra e ex-senadora pelo Paraná é a personificação perfeita da imagem caricata em que se transformou o PT levando de arrasto o que se considera como a esquerda brasileira, tão prosaica e ultrapassada. Provavelmente nunca na história política do País um partido esteve sob um comando tão raso de percepção da realidade e de proselitismo, como vem demonstrando o PT sob seu comando, exceção talvez feita aos nanicos com suas lideranças folclóricas e invariavelmente grotescas.

É inacreditável que um partido que esteve à frente do poder central do Brasil por 16 anos se apresente hoje na oposição com a fragilidade, inconsistência de conteúdo e absoluta ausência de ideias e de propostas para o debate nacional, justamente em um momento em que estão para ser adotadas medidas profundas de transformações do País.

Não se ouve uma voz sequer sensata dentro do PT ou da esquerda tupiniquim que tente puxar o debate político a um patamar mais elevado dentro do partido, e que seja importante e necessário ao aos interesses do País. Ao contrário, como faz a presidente do partido e até mesmo seu candidato derrotado à presidência, Fernando Haddad, as manifestações seguem sempre por uma linha de indigente populismo e de confronto, sob pretensa guarda de um verniz ideológico para atender objetivos puramente partidário.

E para isso se instrumentalizam com o cinismo e a hipocrisia com que moldam o partido, um discurso restrito e limitado de frases de efeito e de contestação apenas à factoides ou notícias produzidos pelo governo.Ou então, como ambos fizeram diante da tragédia humana provocada pela ganância da Vale do Rio Doce, com o rompimento da barragem de Brumadinho.

Não se envergonham com a falta de escrúpulos em tentar culpar o governo que recém se instalou no País, como se não fossem eles, com o PT, também um dos verdadeiros culpados, por conivência, por nada terem feito enquanto estiveram no poder.

Mas talvez haja uma explicação para essa hipocrisia e aridez desértica, para essa indigência intelectual e propositiva que toma conta do que restou do antes forte PT. A ponto de outras lideranças e intelectuais do partido, excluindo dessa cota a corporação febril e adoecida da Academia, simplesmente terem desaparecido das discussões políticas, em estranho, amargo e talvez envergonhado chá de sumiço ao se deparar com a imagem daquilo que o PT se transformou. E deixar que o partido seja melancolicamente conduzido por um histrionismo associado a uma incapacidade cognitiva, tudo misturado como caldo de uma arrogância a que invariavelmente se socorrem os estúpidos para esconder as suas fraquezas.

A constatação mais evidente que pode se extrair desse cenário, é a de que a estabanada deputada não preside um partido político. Ela é apenas síndica de uma massa falida, de um patrimônio político eleitoral que nunca foi do PT, mas do ex-presidente encarcerado, Luiz Inácio Lula da Silva, formado pela sua liderança, carisma e inteligência emocional intuitiva que arrastou milhares de brasileiros em sua cantilena. Foi ele quem a designou para tomar conta de seu espólio, como também o fez ao eleger o poste Dilma Roussef e tentar ganhar a eleição presidencial com outro, Fernando Haddad.

O PT vai morrer com Lula.

Jamais será o partido que foi e que o levou a governar o País por dois mandatos. Não há outro Lula em suas fileiras.

E Lula, preso, como está, não tem a menor importância para a esquerda, é bom que se diga. Sem Lula, ela pode tentar sobreviver em baixo oxigênio explorando a memória do líder sindical e tentar se apropriar do acervo do seu governo sindical, populista e assistencialista, que de socialista nunca teve nada.

Mas a esquerda brasileira nunca se preocupou com os paradoxos de conduta, há um fisiologismo e uma cultura patrimonialista de Estado que sempre se sobressaíram. A ela, só haverá esperança de sobrevida se Lula voltar a respirar em plena, como foi desde o princípio, quando o elegeu como líder e representante de um projeto socialista. Até chegar ao poder e o País ser governado na prática por José Dirceu, o guerrilheiro de festim, enquanto o ex-presidente vivia seu mundo de pompas e circunstâncias.

É bem possível que a presidente do PT não se dê conta, mas não há como deixar de compara-la ao terceiro poste de Lula.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal