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Quais seriam os motivos para não assinar a carta dos governadores?

O governador Ratinho Junior deve ter milhões de razões para não assinar a carta dos governadores em defesa da democracia..

Pedro Ribeiro - 20 de abril de 2020, 10:04

Foto: Rodrigo Felix Leal/ANPr
Foto: Rodrigo Felix Leal/ANPr

O governador Ratinho Junior deve ter milhões de razões para não assinar a carta dos governadores em defesa da democracia, preferindo pautar as ações da sua gestão no âmbito da economia. Mas não podemos esquecer que o mesmo governador assinou, recentemente, carta dos governadores do Sul e Sudeste onde solicitaram medidas e ações urgentes do Governo Federal para evitar o colapso econômico nos estados.

Como estamos com dificuldades para falar diretamente com o governador, não podemos fazer uma análise de sua decisão pautada apenas em uma assinatura de carta que teve 20 governadores como signatários. Quais os reais motivos por não assinar a carta, só saberemos quando o próprio governador se manifestar pessoalmente ou através de coletiva de imprensa onde o assunto pode ser desviado.

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Se o governador preferiu, por exemplo, olhar para o lado econômico e estar perto do presidente Jair Bolsonaro, foi uma opção dele e certamente pensada, porque deve saber que poderá haver sanções ou retaliações de políticos da Câmara dos Deputados, por onde já atuou. Em relação ao aspecto econômico, o que se espera, pelo menos, é que seja recompensado – o Estado, é claro – por uma decisão tão radical como esta.

Analistas políticos acham que Ratinho Junior apostou na baixa repercussão midiática de sua medida no Estado já que o governador transita muito bem junto aos grandes veículos de comunicação de massa.

A carta

"O Fórum Nacional de Governadores manifesta apoio ao Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diante das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação.

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Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises, temos testemunhado o empenho com que os presidentes do Senado e da Câmara têm conduzido, dedicando especial atenção às necessidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios brasileiros. Ambos demonstram estar cientes de que é nessas instâncias que se dá a mais dura luta contra nosso inimigo comum, o coronavírus, e onde, portanto, precisam ser concentrados os maiories esforços de socorro federativo.

Nossa ação nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios tem sido pautada pelos indicativos da ciência, por orientações de profissionais da saúde e pela experiência de países que já enfrentaram etapas mais duras da pandemia, buscando, neste caso, evitar escolhas malsucedidas e seguir as exitosas.

Não julgamos haver conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos.

Consideramos fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático e desprovido de vaidades.

A saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, em especial nesse momento de crise."