Quando Bolsonaro vai colocar os pés na terra em relação à saúde?

Pedro Ribeiro

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Sobre mais um deboche do presidente Jair Bolsonaro quando disse para “parar de frescura e mimimi” em relação à covid, não se deve mais levar em consideração as besteiras insanas que ele fala. O que me chamou a atenção, dois dias após sua trágica manifestação, foi a postagem de um internauta onde diz: “hoje mais 1.750 brasileiros morreram de mimimi…”.

Realmente choca. Não somente as mortes e o desespero das famílias ao verem parentes com a doença e não ter como se tratar por causa do caos na saúde pública. Um médico amigo nos envia um áudio onde relata que passou 15 dias de dificuldades e alerta que a situação é traumática, pois tem 10 clientes com covid e não tem hospital para fazer o necessário procedimento.

E nesta quinta, Bolsonaro voou de Brasília para São Simão (GO), onde participou da cerimônia de inauguração de um trecho da ferrovia Norte-Sul.Em discurso transmitido pela TV Brasil, o presidente afirmou: “Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”.

MIMIMI DE PERVERSIDADE DOENTIA

Alceo Rizzi

Indignidade ultrajante e perversa com o País que adoece, desrespeito à memória dos quase 260 mil brasileiros mortos pelo vírus da pandemia,  ouvir de um presidente da República a declaração perturbada e carregada de escárnio e deboche,  de que “chega de mimimi”, acrescida de  leviana  indagação  de um ” vão chorar até quando?”

Nem mesmo genocidas acometidos de psicopatias  eventualmente mais severas trataram de verbalizar seus sentimentos e comportamentos acintosos contra vidas e contra a dignidade  humana, apesar das mentes doentes e sombrias, banalizando com tanta desfaçatez uma tragédia,  seja ela sanitária ou por crimes que tenham cometido.

Quando mais se eleva a macabra estatística de cadáveres que o vírus vai acumulando pelo país afora, com a rede hospitalar já em colapso e sem condições de atender doentes infectados pelo vírus e por outras patologias,   mais parece que  entusiasma o ânimo e sua  euforia, para que a incúria e  seus delírios mórbidos se manifestem.

Não se trata mais nem de respeito, de discernimento, preocupação solidária com o horror que toma  conta do País, é  apenas mais uma das reiteradas manifestações de desequilíbrio e de uma alma perversamente atormentada, que parece encontrar satisfação na morbidez, ainda que falsamente, as vezes,  queira fazer parecer e  demonstrar o contrário.

Chegamos cada vez mais a um ponto em que a História do País  terá necessariamente que ser revisitada e revisada um dia. Em memória dos que morrem e já morreram, em respeito aos sobreviventes. (Alceo Rizzi é jornalista e colaborador do Paraná Portal)

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal