Quanto mais tentam destruir Moro mais ele se fortalece na bandeira contra a corrupção

Pedro Ribeiro


 

Bolsonaro critica a imprensa que só fala do Moro, não diz uma linha sobre o atentado que recebeu e pede para investigar o telefone de Adélio que encontrarão o mandante.

Retomo o assunto pelo dever da profissão, mas está ficando chato tanto escrever e falar – é claro que para o leitor também – sobre o caso de possíveis vazamentos de conversas do ministro Sergio Moro. Agora vem a revista Veja copiando notas do site americano que, sabidamente, contratou hacker para invadir os telefones de Moro e do procurador Deltan Dallagnol. Isto novamente obriga, novamente, a força-tarefa da Lava Jato a emitir nova nota repetindo o que o ministro falou, ou seja, de não reconhecer a veracidade tanto na publicação da Veja como do site americano Intercept.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o ministro sobre o caso que está virando, como disse, chato. O presidente da República observou que será o povo a “julgar” o governo, como provocou a imprensa a noticiar informações sobre Adélio Bispo, o responsável pelo atentado contra ele. “Falam tanto na questão do Moro, telefone, etc, e cadê o caso do Adélio? Não vão dar nenhuma força pro caso? Os telefones estão guardados. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com ação impedindo que se entre no telefone celular de alguns. Pois se entrar, vão saber quem foi o mandante da tentativa de homicídio da minha parte”, disse Bolsonaro.

“A polêmica  em cima do ministro  grampeado não consegue deslocar o eixo da percepção pública que se faz com base em uma pergunta singela: você confia nele? Por mais tropeços e eventuais delitos de magistratura que ele possa ter cometido, a bandeira que construiu continua imantada com sua imagem: a do combate à  corrupção. O ministro já não é morfológico neste cenário imagético. Quanto mais se insiste na sua desconstrução,  mais fortalecem aura de um messianismo perigoso,  como são  de resto os demais. Ele nem precisa fazer esforço. Lamente-se ou não,  mas é  fato. Goste-se ou não, mas é  o que está acontecendo”, como bem colocou o jornalista Alceo Rizzi.

Diz a nota:

A Força-Tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) no Paraná não reconhece o contexto e a veracidade das supostas mensagens atribuídas a seus integrantes e originadas em crime cibernético. O trabalho dos procuradores da República na operação foi analisado e validado por diferentes instâncias do Judiciário. Os supostos diálogos divulgados e as acusações feitas nesta 6ª feira por uma revista contradizem os seguintes fatos públicos:

1) Os réus foram absolvidos com relação ao fato citado pela revista, inexistindo favorecimento à acusação.

2) O pronunciamento ágil do Ministério Público, principalmente em casos de pessoas presas, é fundamental. É comum, portanto, que os juízes cobrem essa agilidade. Nos dois casos mencionados pela revista o pedido de agilidade constava nos próprios autos.

3) É lícito para defesa e acusação juntarem documentos aos autos, inclusive respondendo a demandas do juiz, que está autorizado em nosso sistema a produzir prova e instruir processos.

4) É a Procuradoria-Geral da República que realiza ou coordena tratativas de colaboração premiada, em que são implicadas pessoas com foro privilegiado, e é o Supremo Tribunal Federal que decide homologá-las ou não, sem que juízes de 1ª ou 2ª instância tenham ingerência nessas decisões.

5) Na Justiça Criminal, as datas de fases de operações são estabelecidas entre os agentes públicos, em especial pelo juiz, que precisa estar disponível na data para decidir pedidos urgentes do Ministério Público e defesa.

6) A ordem de análise e inclusão de materiais nos processos depende não só do trabalho do MPF e do Judiciário, mas de uma cadeia que inclui outros órgãos, como Polícia e Receita Federal, e segue critérios de interesse público.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.