Que Ratinho Junior fuja dos chacais, impeça o derrame do veneno tóxico da corrupção e semeie bons frutos nesta terra fértil

Pedro Ribeiro


 

Quando assumir o Governo do Estado, no dia primeiro de janeiro e se instalar no terceiro andar do Palácio Iguaçu, o governador Carlos Massa Junior terá, à sua frente, os destinos de mais de 11 milhões de pessoas, cuja maioria lhe deu voto de confiança, mesmo sabendo que é difícil colocar, a curto e médio prazos, um Estado com tantas dificuldades como está hoje o Paraná no trilho do desenvolvimento com qualidade de vida para todos.  Ratinho Junior sabe disso e precisa encontrar uma nova ordem social

O jovem governador, com pouca experiência no Executivo a não ser por cursos de gestão pública, pisará em terreno minado, porque encontrará, pela frente, velhos chacais nas trincheiras da resistência que tentarão impedir que faça um bom governo. É a natureza dos escorpiões, em especial dos que ficaram de fora nas últimas eleições. É preciso que Ratinho Junior se vista com um escudo protetor e se banhe de sensibilidade para lidar com esses gritos de revoltas, colocando seu plano de ação para contemplar, em primeiro plano, as áreas mais fragilizadas, como saúde e segurança pública.

Ratinho Junior não pode se espelhar no discurso acadêmico, decorado, do ex-governador Beto Richa, quando sustentava em todos os cantos que o Paraná era uma maravilha, que havia feito as reformas necessárias, que tinha se antecipado aos problemas. Deu no que deu. Mentiu e a sociedade não aceita mais políticos de discursos que aproveitam da boa fé e paciência do povo para continuar navegando na política.

Não faltará, nos primeiros dias de governo, a tradicional romaria dos prefeitos, de chapéu na mão, em busca de recursos para seus municípios, com o velho chavão de sempre. Fomos preteridos pelo governo anterior e apostamos na sua administração. Não faltará pressão de professores, funcionários públicos e empresários em busca de subsídios ou redução de impostos para, em nome do aumento da mão de obra, cobrar o que o Estado não pode dar.

Sabemos que Ratinho Junior tem o Estado muito bem mapeado e sabe onde aperta o sapato. Uma de suas maiores dificuldades, no início do governo, estará no quintal de sua casa, a Assembleia Legislativa, onde residem velhas raposas a serviço de agremiações partidárias que praticam, sem qualquer escrúpulo, a prática do toma lá da cá. Um balcão sujo de negócios. Ali, nos corredores, nos gabinetes e principalmente nas sombras mora o perigo.

É possível que Ratinho Junior consiga estancar a sangria da corrupção que, infelizmente, se alastrou em nosso Estado mesmo tendo, aqui, a força tarefa da Operação Lava Jato que se inscreveu na história como lampejo de esperança num país habituado à impunidade. Para que o governador faça isso terá, primeiro, rezar a letra da lei e mostrar também ao tecido fino da sociedade que, em seu governo, haverá rigor no uso do dinheiro público e que o veneno da propina não se espalhará dentro da administração pública.

Que semeie bons frutos nesta terra fértil

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal