Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Que tristeza. Apesar do duro combate, a corrupção cresce no Brasil

 Mais ansioso do que a grande maioria do povo brasileiro em relação à punição e à devolução do grande volume de din..

Pedro Ribeiro - 29 de janeiro de 2019, 17:01

PR - LAVA JATO - POLITICA -   Procurador
Deltan Dallagnol  durante Coletiva  de Imprensa na sede do Ministério Público no centro em Curitiba, nesta quarta-feira (19).  Foto: Geraldo Bubniak/AGB
PR - LAVA JATO - POLITICA - Procurador Deltan Dallagnol durante Coletiva de Imprensa na sede do Ministério Público no centro em Curitiba, nesta quarta-feira (19). Foto: Geraldo Bubniak/AGB

 

Mais ansioso do que a grande maioria do povo brasileiro em relação à punição e à devolução do grande volume de dinheiro desviado em propina aos cofres públicos é o Procurador da República, Delton Dallagnol. Em suas declarações, coloca o dedo direto na ferida, como agora, com o esquema do pedágio, onde disse que as concessionárias e os envolvidos no esquema de propina “deixaram um rastro de sangue nas estradas paranaenses”.

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“A corrupção suga R$ 200 bilhões por ano do Brasil. Sem ela, os investimentos em educação poderiam ser triplicados”, observa o procurador, se mostrando um agente que não cumpre apenas sua missão de combate à corrupção, mas também a de um cidadão que procura prospectar um futuro melhor para o país com a utilização correta dos recursos públicos.

Embora tenha sido grande o esforço da Lava Jato, nos deparamos com dados nada confortáveis, nem para nós brasileiros e talvez muito menos para os diretamente envolvidos no combate à corrupção. Pasmem, a corrupção no Brasil continuou a crescer em 2018, de acordo com a mais recente edição do IPC (Índice de Percepção da Corrupção), ranking da Transparência Internacional.

O país caiu nove posições e agora ocupa a 105ª posição, em um conjunto de 180 países analisados.

O IPC faz essa classificação com base em quão corrupto o setor público é percebido por especialistas e executivos de empresas, com base em outras 13 pesquisas e relatórios independentes. Quanto menor a nota (de 0 a 100), maior é a percepção da corrupção.A média do Brasil caiu novamente e chegou a 35 pontos em 2018, a mais baixa nos últimos sete anos. Ele empata na lista com Argélia, Armênia, Costa do Marfim, Egito, El Salvador, Peru, Timor Leste e Zâmbia.

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A nota mais alta entre os países analisados coube à Dinamarca (88 pontos), que é seguida por Nova Zelândia (87), Finlândia, Singapura, Suécia, Suíça (todos com 85) e Noruega (84). As últimas posições da lista são ocupadas por Coreia do Norte, Iêmen (ambos com 14), Sudão do Sul, Síria (ambos com 13) e Somália (10).

A piora brasileira no índice coincide com a Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014 - naquele ano - o Brasil era 69º, e desde então só perdeu posições na tabela global.