Quem salvará o bárbaro João de Deus?

Pedro Ribeiro


Delações e negativas viraram palavras de ordem hoje no Brasil. Os delatores, bandidos confesso, se utilizam dessa brecha na justiça para reduzir suas penas e, para alcançar êxito, não medem consequências de seus atos. Se precisar, para se livrar das duras penas impostas às suas práticas ilícitas de lesa cofres públicos, entregam, de bandeja, até os pais e a parentada toda.

Para se fazer delação premiada é exigida a comprovação das denúncias que, em muitos casos, não acontecem. Porém, antes mesmo da apresentação de tais provas, o estrago já foi feito e muitas pessoas citadas em alguns casos não tem nada a ver com o crime. Mas sua vida acabou virando um inferno e terá que provar que ele, o denunciado, não é o bandido. O bandido está do outro lado.

Tivemos vários exemplos aqui no Paraná de delações que, até o momento, não foram comprovadas e os processos vão rolando nas esferas da justiça. No caso da Lava Jato, o delator é peça importante, porque sinaliza com o desenrolar de fios que podem chegar a um número maior de envolvidos, daí a importância que se dá a esses delatores, inclusive com prêmios.

Deveria haver, no entanto, um filtro nestas delações, a começar pelo grau de envolvimento do delator em atos ilícitos, como sua ficha corrida ao longo dos anos e seu risco à sociedade. No final, o pequeno é quem pagará o pato, enquanto o bandido vai gozar de liberdade.

Agora temos a informação de que o ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa, Deonilson Roldo, que reinou por sete anos no governo, fará delação premiada. Se praticou atos ou ações que se transformaram em benefícios próprios, como propina e enriquecimento, que pague pelo que fez.

Outro caso é a negativa. Como reza a cartilha do bom jornalismo, todas as pessoas têm o direito de resposta em casos de denúncias ou de citações de seus nomes. A imprensa deixa a palavra final para os envolvidos e o clichê é sempre o mesmo: não é verdade, ilação, invenção, vamos provar nossa inocência.

Ontem, domingo, ao ser ouvido pela imprensa, o advogado de João de Deus, o homem que barbarizou com a prática de abuso sexual, disse, com todas as letras: não é verdade.

Questiono, neste e em muitos outros casos, qual é o papel do advogado?

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal