Ratinho Junior não pode errar na segurança pública, pois será o primeiro a ser cobrado

Pedro Ribeiro


 

O governador Ratinho Junior tem sua primeira baixa no secretariado. O general Luiz Felipe Carbonell deixa a pasta para assumir uma diretoria na Itaipu Binacional. Carro-chefe de todas as campanhas a governos estaduais e mesmo federal, a área da segurança pública é a que mais preocupa a sociedade e, consequentemente, o eleitor. Qualquer pequeno furto, roubo, um homicídio não solucionado de imediato ou mesmo uma pequena onda de violência, em qualquer cidade, a culpa é da “falta de segurança pública” e quem é penalizado por isso é o próprio governador.

Portanto, pesa sobre os ombros do governador a escolha do nome para comandar a área de segurança pública. O próprio chefe do Executivo tem que trazer para si a responsabilidade desse comando sob pena de sofrer as consequências junto aos seus eleitores. Não pode errar. Dessa forma, no caso paranaense, o governador Ratinho Junior não deveria adotar critérios políticos para o nome desse tão importante cargo e buscar um nome de consenso, dentro dos órgãos de segurança pública do Estado e que tenha experiência na área.

Apostar na indicação política para alguém atuar em uma das pastas mais complexas da máquina governamental é correr um sério risco. Ratinho Junior, quando escolheu o general Carbonell acertou, houve redução de 30% no número de homicídios no Paraná e a Secretaria de Segurança ficou à margem de críticas da sociedade, a não ser os ruídos com o programa “Escola Segura” onde, em sua primeira etapa, houve pouca adesão de militares da reserva, o que parece ter sido contornado.

Há rumores na Assembleia Legislativa e no Palácio Iguaçu, de que um nome colocado à mesa do governador para dirigir a pasta teria sido recusado por questões políticas, ou seja, da prática da velha política, do patrulhamento ideológico, da miopia administrativa que ainda nos dias de hoje se sobrepõe a critérios técnicos. Tal nome teria sido vetado por um deputado que alegou tratar-se de um nome que esteve no lado contrário na campanha ao Governo do Estado.

Não podemos acreditar que o governador Ratinho Junior, um político experiente, apesar da pouca idade, tenha dobrado os joelhos a um parlamentar que sequer conhece as ações desenvolvidas pela pasta da segurança pública, das polícias Civil e Militar e de tudo o que está ligada a segurança, que tira o sono da sociedade. Tal deputado, que deve ter sido eleito com pouco mais de 40 ou 50 mil votos em uma região do Estado, certamente não tem consciência de que cairão sobre Ratinho Junior as consequências das decisões, sejam elas positivas ou negativas.

Ao primeiro tiroteio político, podem ter certeza que o deputado, que certamente não estará mais no cargo de liderança, vai se encolher e deixar o circo pegar fogo. É da natureza do político que não pensa no Estado, na população, preferindo pregar o ódio, mirando no adversário político da campanha anterior e não no bem que ele poderá trazer com sua experiência comprovada no setor.

O importante é que o cidadão a ser escolhido, de preferência por critérios técnicos, resolva os problemas da segurança pública e que traga paz e tranquilidade à sociedade. Ao político raivoso, que retrocede no tempo, esperamos que reveja sua posição equivocada ou, pelo menos, assuma a responsabilidade pelo seu peso político nesta escolha.

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal