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Ratinho Junior precisa recuperar a dignidade do cargo de governador e a autoestima do Paraná

 Prematuro apontar como será o governo de Ratinho Junior no Paraná mesmo diante das medidas saneadoras que e..

Pedro Ribeiro - 25 de janeiro de 2019, 12:01

 

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Prematuro apontar como será o governo de Ratinho Junior no Paraná mesmo diante das medidas saneadoras que estão sendo adotadas neste seu início, como a de pente fino sobre salários de servidores e auditoria externa nas contas para saber a real situação financeira do Estado. Ainda que nenhuma dessas medidas fossem adotadas, somente a postura do novo governador ao falar de sua administração já é fato alvissareiro, não fosse ela apenas uma obrigação de quem deve ter estatura moral para conduzir um estado.

Ratinho Junior tem sido discreto e quando fala do seu governo, o faz por enquanto com propriedade e sem frases de efeito.

Podem ser criticadas algumas das decisões que tomou, mas não se ouve do novo governador do Paraná a lengalenga embusteira e ardilosa da tal de nova maneira de fazer política ou do choque de gestão em que se apoiava seu antecessor, Beto Richa, espécie de mantra para justificar falta de conteúdo e de capacidade.

O tal do choque de gestão a que se referia o ex-governador nós saberíamos mais tarde com a descoberta das falcatruas e arrombamento dos cofres estaduais, como a chamada Operação Quadro Negro, Patrulhas do Campo, Integração, etc., e mais a que ainda não se sabe, escondidas eventualmente em algum escaninho do Palácio Iguaçu. Se tratava mais de cheque do que choque de gestão.

O Paraná precisa recuperar a dignidade do cargo de governador, maculada antes pela desonestidade e cinismo que se estendeu para membros da equipe, à parentes distantes e não distantes foragidos da Justiça e que culminou na prisão de Beto Richa por breve momento, junto com seu irmão José Richa Filho, o Pepe.

E a restauração da dignidade é levantar cedo e se ocupar de assuntos do Estado, sem narcisismo ou vaidades esculpidas em academias, o que parece demonstrar nestes primeiros dias o novo governador, acostumado a levantar cedo para a labuta, por força das tiradas de cobertores do pai, ainda na infância.

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O Paraná já teve gente da estirpe de Bento Munhoz da Rocha Neto, Viriato Parigot de Souza, Ney Braga, Alvaro Dias, José Richa, João Elisio Ferraz de Campos, que governaram o Estado sem registros em suas biografias de favorecimentos a familiares ou cupinchas, sem enriquecimento ilícito e muito menos bordões inventados pelos ditos marqueteiros.

A vergonha alheia e a baixa autoestima dos paranaenses provocadas pelos ilícitos da administração anterior, só foi em parte mitigada pelo orgulho que sentiram com a Lava Jato, na esfera da Justiça Federal da capital do Estado, que enjaulou corruptos e mandou para prisão o ex-presidente Lula.

A restauração só será completa no reconhecimento da probidade, sinceridade de propósitos e honestidade com que o Estado estará sendo governado no âmbito do Executivo. E que a Assembleia Legislativa também deixe de ser foco de suspeitas de irregularidades cabeludas e direcione seus esforços e preocupação para que o Paraná deixe de ser um Estado patrimonialista, onde se confunde a coisa pública com a privada. Literalmente.