Ratinho Junior acha que situação financeira do governo não é confortável

Pedro Ribeiro


 

Embora a governadora Cida Borghetti tenha afirmado que deixará R$ 5 bilhões em caixa para o próximo governo e que a transição foi harmoniosa, o governador eleito, Ratinho Junior, em entrevista à sua equipe de trabalho disse que está preocupado com as contas e com o caixa e que terá que promover cortes e ajustes para cumprir os compromissos assumidos com a sociedade. Todos os contratos de fornecedores serão revistos. Bem, isso é praxe em todo início de governo.

 

Sobre a transição:

A transição começou tarde, por decisão do atual governo, algo que lamentamos, pois gostaríamos que começasse em seguida às eleições para que pudéssemos ter mais tranquilidade para levantar os contratos, licitações e projetos em andamento. O que nos preocupa muito é a questão financeira do estado, porque muitas das informações nós não temos ainda consolidadas. Existe um problema inclusive com a secretaria da Fazenda, com o software, mas nós estamos fazendo um levantamento. Existe uma previsão de que o governo não tenha uma sobra de caixa, confortável para começar o ano. Diante deste cenário, vamos ter que fazer muitos cortes, muitos ajustes, para que a gente consiga cumprir os compromissos neste início de ano, em especial nos primeiros 90 dias. Eu determinei que todos os contratos dos últimos 30, 40 dias, sejam revistos, aquelas licitações que não são prioridade para atender a população a gente pretende cancelar, o que juridicamente for possível.

Vamos priorizar aquilo que é necessário, em especial a questão da saúde, a questão da educação, já que as aulas começam em fevereiro. Janeiro é um mês difícil por conta de epidemias como a da dengue, estamos que estar preparados para o combate, precisamos ter dinheiro em caixa para isso e, obviamente, honrar os compromissos.

Redução da máquina

Vamos fazer um pente-fino. Começamos diminuindo as secretarias, de 28 para 15. É o estado que mais cortou secretarias até agora, pelo que levantamos. A ideia é enxugar a máquina pública, fazer um pente-fino em todos esses contratos. Tivemos o caso da dragagem do Porto de Paranaguá, que vai custar 400 milhões de reais, cujo contrato foi assinado a poucos dias para terminar o ano. Esse é o tipo de coisa que deveria ter sido discutida com mais profundidade, jogada para o ano que vem para que a gente pudesse avaliar o contrato, que envolve milhões. A intenção é rever tudo isso. E vou determinar logo no início do mês de janeiro, uma auditoria na folha de pagamento e também na previdência.  Nós queremos realmente ver se as pessoas estão trabalhando de maneira correta, que não tenha gente recebendo em duplicidade, para que o dinheiro público possa ser bem aplicado.

O senhor reduziu de 28 para 15 secretarias. Qual foi o critério para chegar nesse modelo e como foi a composição dos indicados para assumir as pastas?

Foi a primeira vez na história do Paraná que foi contratada uma consultoria, uma das maiores empresas especializadas em Gestão Pública, que é a Fundação Dom Cabral, para fazer uma modernização do organograma do estado, repensar o número de secretarias.

Era um compromisso que eu tinha com os paranaenses, de reduzir aquelas secretarias que foram criadas ao longo dos anos para acomodar amigos, parentes de políticos. Nós resolvemos acabar com todas elas e deixar só as que realmente são importantes para tocar o estado. Então nós reduzimos de 28 para 15 secretarias, elas foram todas analisadas e reorganizadas pela fundação Dom Cabral e todos os secretários e secretárias foram indicados por um critério extremamente técnico. Se pegar o currículo de todos eles, você vai ver que são pessoas preparadas, formadas, pós-graduadas, alguns doutores,  a nossa preocupação foi a de montar um time de excelência que possa prestar um bom serviço ao estado.

Qual foi a orientação que o senhor deu aos secretários?

Primeiro muita lealdade ao povo do Paraná. Temos essa obrigação e o compromisso de sermos eficientes, aplicar da maneira possível o dinheiro público e acima de tudo trabalhar muito. Eu não gosto de ter na minha equipe pessoas que não gostam de trabalhar. Escolhi pessoas que tem capacidade técnica e disposição para trabalhar.

O que o povo do Paraná pode esperar do governo Ratinho Junior, a partir de 2019?

Pode esperar muita vontade de trabalho, muito planejamento, nós vamos fazer do Paraná o melhor estado do Brasil, eu tenho convicção disso. Vamos fazer do Paraná o estado mais moderno do Brasil. Queremos colocar a educação entre as três melhores do país, fazer com que a segurança pública ser respeitada e até servir de modelo para outros estados, utilizando para isso a tecnologia. Acima de tudo, queremos fazer do Paraná um estado que possa gerar oportunidades, a nossa preocupação, a nossa missão vai ser criar empregos. Para isso vamos trabalhar para atrair empresas do Brasil e também de fora, para investir no Paraná e gerar emprego pra nossa gente, este é o nosso compromisso.

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.