Reajuste no Bolsa Família seria saída para diminuir as desigualdades no país

Pedro Ribeiro


Deputado Romanelli sustenta que essa medida é essencial para evitar nova década perdida na economia onde já existem 13 milhões de desempregados e 23 milhões abaixo da linha da miséria  

Preocupado com as condições de vida do povo brasileiro, em especial dos paranaenses com baixa renda, o deputado estadual, Luiz Cláudio Romanelli, defendeu nesta terça-feira a necessidade de o governo federal adotar medidas para diminuir a desigualdade de renda do país, que sobe desde 2014, como efeito da crise e do desemprego. O parlamentar apenas lembra das promessas de campanha em que nos palanques pregavam políticas públicas que viessem ao encontro da redução da pobreza e da desigualdade.

Romanelli, que tem pautado suas ações na Assembleia Legislativa em defesa das classes mais necessitadas, observa que não se trata apenas de uma questão de justiça social, mas uma forma de “estimular a economia, sob pena de termos novamente uma década perdida no combate à desigualdade, como ocorreu anos 80, após o fracasso do Plano Cruzado, quando houve inflação e desigualdade em taxas recordes”.

O parlamentar paranaense, que está em seu quinto mandato na Assembleia Legislativa ilustra suas preocupações com base em informações do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas onde registra que, em quatro anos, mais 6,27 milhões de brasileiros cruzaram a linha da pobreza e vivem com menos de R$ 233 por mês. São 23,3 milhões de pessoas nessa condição, o equivalente a 11,18% da população. Romanelli também alerta para o número do desemprego que ultrapassa a 13 milhões de pessoas.

Para ele, o governo deveria aumentar o valor do Bolsa Família e ampliar o número de famílias beneficiadas. “Hoje, a média do valor pago pelo governo a cada família é de R$ 180. Um aumento no Bolsa Família tem impacto relevante. Cada R$ 1 do programa pode elevar o PIB em R$ 1,78”, pontua.

Segundo Romanelli, que buscou informações também junto ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada,  recente estudo revela que o Bolsa Família foi responsável pela redução de 15% da pobreza e de 25% da extrema pobreza entre os beneficiários. Em 2017, as transferências do programa retiraram 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema e 3,2 milhões da pobreza. Para este ano, o montante total do programa será próximo de R$ 30 bilhões.

“Esse valor representa menos de 0,5% do PIB. O orçamento do Bolsa Família ainda é muito pequeno quando comparado ao universo de despesas do governo federal. Aumentar o valor depende somente de prioridade política”, avalia Romanelli.

O deputado explica que a população mais pobre gasta sua renda em consumo, o que aumenta a demanda e faz a economia girar. ”Com o desemprego, cresce o contingente de trabalhadores sem acesso aos mecanismos de proteção social relacionados à formalização. O aumento no número de beneficiários do Bolsa Família e também do valor atualmente pago traria benefícios imediatos e contribuiria para diminuir a desigualdade”, diz

Inovação é o principal desafio ao País

Além do reajuste no Bolsa Família, o deputado Romanelli (PSB) também defende a inovação e o uso das novas tecnologias como desafios que se impõem país e ao setor público na atual conjuntura. “Recente pesquisa da federação das indústrias do Ceará considerou o Paraná o segundo estado mais inovador do país. Isso porque avançamos na tecnologia, ciência e conhecimento, o que nos impõe cotidianamente novos paradigmas. E se há um setor que estamos atrasados no país é o do conhecimento. Esse, seguramente, é o nosso maior problema estruturante”, disse Romanelli na audiência pública, convocada pelo deputado Emerson Bacil (PSL), sobre a Lei de Inovação no Paraná.

“A inovação é uma política estruturante que pode modificar de forma efetiva a realidade. Quando a comparação é com outros países, verificamos o quanto estamos atrasados. A tarefa que temos, da nossa geração e dos mais novos, é exatamente essa: avançar no conhecimento e ter um sistema que atualiza isso rapidamente ou ficaremos atrás, como estamos em relação ao conhecimento de uma maneira global”, completou.

Romanelli adiantou que a Assembleia Legislativa tem avançando em relação a inovação e citou, entre outras medidas, a implantação do SEI (Sistema Eletrônico de Informação). “Vamos acabar com o papel. Estamos digitalizando a Assembleia Legislativa, já implantamos o sistema no processo administrativo e vamos implantá-lo no sistema legislativo também”.

A digitalização começou em 1º de agosto e, segundo Romanelli, “é impressionante como a mudança conceitual afeta as pessoas”. “A velocidade está em uma outra dinâmica. Estamos trabalhando com esse sistema novo com muito empenho, o que deve ser uma característica da administração pública”, disse.

O deputado destacou ainda que o tripé – tecnologia, ciência e conhecimento – está mais avançado na sociedade civil organizada e no setor privado e que também é um desafio para as universidades (estaduais, federais e particulares). “Conhecimento não tem fronteira. Temos que ter uma boa lei estadual que permita os avanços e a Assembleia apoia integralmente a proposta”.

“Temos que fazer as atualizações necessárias e precisamos de recursos e investimentos para fazê-las. Temos que ter ainda uma política fiscal de apoio à inovação, isso é extremamente importante para as cadeias produtivas nas mais diversas áreas. O que estamos fazendo ao lutar pela inovação fará parte da história”, completou.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.