Ruralistas de ocasião

Redação


Alceo Rizzi

A denominação genérica de ruralistas atribuida a manifestantes que participam de atos pelo Pais em defesa do governo, contra o STF e contra a CPI da Covid no Senado, já revela a dissimulação do engodo com que elas acontecem.

Ainda que haja nelas eventuais manifestantes voluntários ligados a atividades do campo, não representam entidades ligadas ao setor, ausentes mesmo na convocação das manifestações. O agronegócio sério, ainda que a ele se faça severos questionamentos e críticas e se lhe atribua denominações ao gosto ideológico de quem quer que seja, pode ser visto por muitos ângulos. Menos que ele seja idiota e estúpido em patrocinar berrantes e churrascos festivos de desrespeito às recomendações sanitárias diante de uma pandemia fora de controle e de assombrosa quantidade de mortos.

Ou contra o STF. Parece que, enquanto o presidente, que convocou e participou dos atos, não conseguir criar uma crise maior que a sanitária, para alcançar seu objetivo, não vai esgotar novas tentativas de mais engodos como agora. A menos que presidentes de outros poderes, do STF ou do Congresso, para efeitos de comparação, também, por insanidade semelhante, convoquem atos públicos pelo País contra a Presidência da República.

Nem em hipótese parecida os ruralistas que de fato o são e zelam por seus negócios, seriam idiotas de colocar a cara para bater. Nem dissimuladamente. Mas, há quem acredite.

 

Alceo Rizzi é jornalista

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