São os militares que demonstram bom senso e equilíbrio no novo governo, goste-se ou não!

Pedro Ribeiro


 

Muita gente não gosta quando se elogia um militar, principalmente quando ele está no poder. Há uma paranoia em parte justificada pelos excessos cometidos pelos regimes militares no golpe de 64. Não pega bem, pode parecer aprovação e estimulo para que ele seja mordido pela mosca azul e queira permanecer no cargo, voltando ao mesmo pesadelo que se viveu naqueles anos do século passado. Parece um exagero, ainda assim justificado pela história, mesmo nesta quadra de irracionalidade em que o País vive, ainda fortemente sob a influência de um cabo de guerra ideológico e com argumentos estúpidos e apaixonados dos dois lados.
Se você enaltece comportamento e declarações de algum militar, é logo classificado de ser reacionário, fascista, que lambe coturnos e deseja o fim da democracia. Não é preciso identificar de onde vem os impropérios, a esquerda de uma maneira geral é pródiga em insultos e palavras de ordem. E tão autoritária quanto militares que defendem regimes ditatoriais, querem eles que prevaleçam as suas verdades. Nisso se parecem, em muito se assemelham.
O que não dá para deixar de reconhecer neste quase um mês de governo do presidente Jair Bolsonaro, é a voz sensata e equilibrada dos militares no poder. Se persiste, ainda que escasso, vestígio de bom senso no novo governo, em meio a um turbilhão de trapalhadas e declarações insensatas e insanas de alguns ministros, é justamente pelas manifestações de seus militares. E, surpreendentemente, um dos mais destacados é justamente o general de reserva do Exército e vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Logo ele, o milito troglodita e brucutu que a esquerda pintava quando ousou levantar a voz raivosa contra os governos do PT – que todos sabem no que deu – e por isso mesmo foi para a reforma do Exército.
Já no primeiro dia como presidente interino, em substituição à Bolsonaro em viagem para a Cúpula de Davos, na Suiça, abordou com sinceridade a questão do decreto de posse de armas, afirmando que ele não serve para combater a violência do País. Só serviu para cumprir promessa de campanha. Dias antes, sem papas na língua, só faltou de dizer claramente que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo é um despreparado para o cargo. A ponto de estar se formando no governo uma espécie de conselho de ministros para assuntos internacionais, para não deixar que o maluco trate de questões comerciais e diplomáticas com outros países apenas por seu livre e confuso arbítrio.
Mourão, ao lado do ex-colega de farda e ministro do gabinete Institucional, Augusto Heleno, aos poucos vão se firmando como espécie de garantidores de uma certa estabilidade neste início confuso do governo. E isso até mesmo os historiadores estão percebendo, conforme se constata em entrevistas que eles tem dado à vários veículos de comunicação nestes últimos dias. Sabem que o vice-presidente, quando fala, e o tem feito com consistência e racionalidade, expressa o pensamento militar do governo.
Eles já mandaram às favas alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos, pretendido pelo próprio presidente e pelo lunático ministro das Relações Exteriores. Como também parece que jogaram um tonel de água gelada nas pretensões de apoiar a transferência da embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém. Pode até ser que ela aconteça, mas vai ser uma queda de braço com os militares. Também em relação à China, os militares puxaram o freio de mão de aspones incendiários que circundam o presidente. E o ministro das Relações Exteriores, um deles, agora está pianinho, deve exercitar sua obtusa oratória enquanto está no banheiro de seu gabinete no Itamaraty.
É possível que o País ainda venha a conhecer o estilo brucutu desses militares, o que parece improvável. Tudo é possível. Talvez dependa muito da percepção da oposição no papel que vai exercer daqui para a frente, para não provocar ânimos e apostar no ensandecido lema de quanto pior melhor e tentar incendiar o País. Agora, alguém considerar que os militares estão despreparados para as posições que estão ocupando no governo, é a mesma coisa que achar que a inteligência, competência e capacidade, só habita quem não veste ou já deixou de vestir farda.
É a primeira idiotice que se comete para cair do cavalo!

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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