Suspeita de privilégios a presos da Lava Jato no Complexo Médico Penal

Pedro Ribeiro


 

Recentemente publicamos aqui denúncia de um ex-preso do Complexo Médico Penal, onde afirmava que não há nenhum privilégio entre os presos da Operação Lava Jato, entre eles, políticos, funcionários do setor público federal e empresários. Informava ainda que presenciou uma briga entre detentos considerados perigosos no mesmo andar onde estão os da Operação Lava.

No entanto, neste domingo, o Estadão publica matéria com base em uma carta de 47 páginas, escrita à mão de dentro do complexo penal e entregue à Justiça e à força-tarefa da Lava Jato,  onde denuncia um suposto “regime especial” paralelo na ala 6 da unidade, desde a chegada “dos Lava Jato” – como este grupo é chamado pelos demais presos. Ao todo, a carta enumera 27 “fatos” – supostas ilegalidades ou infrações disciplinares – que beneficiariam o grupo.

 

Segundo o Estadão, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam o esquema de privilégios a presos. As suspeitas são que um seleto grupo – formado por políticos, ex-executivos e lobistas – teria acesso a aparelhos de telefone celular, internet, visitas íntimas, comida exclusiva, serviços de cozinheiro, segurança e zelador particulares. Além de usarem “laranjas” em cursos e trabalhos que servem para redução dos dias de cárcere.

O Complexo Médico-Penal  é um presídio localizado em Pinhais, sem muralhas. Visto por fora, foge ao padrão visual das unidades de encarceramento do Brasil. Com capacidade para 659 presos, a unidade abriga hoje cerca de 730. “A unidade tem sérios problemas de atendimentos aos presos, em especial os que estão nas alas de medida de segurança”, explica a defensora pública Andrezza Lima de Menezes.

A unidade passou a abrigar os detentos da Lava Jato em 2015, após a carceragem da PF se tornar pequena para o crescente número de detidos nas operações. Atualmente, são 52.

A chegada dos presos de colarinho branco elevou o CMP – um dos 33 estabelecimentos penais de regime fechado no Paraná – a “ponto turístico”. Desde 2017, o complexo está na lista de seis locais de visitação do pacote que agências de viagem vendem, o “Tour Lava Jato” – que inclui visitas ainda ao prédio da Justiça Federal, onde despacha Moro, e à sede da PF, onde está preso e condenado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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