Susto com efeito retardado no governo Ratinho Junior

Pedro Ribeiro

 

Toda troca de governo é a mesma ladainha, com o novo gestor se queixando da administração anterior por ter deixado um rombo no caixa, dificultando a administração que assume. O buraco, a  herança maldita não deveriam causar surpresa já que antes das trocas de mandatos, existem as equipes especializadas em transição que fazem um pente fino sobre a real situação do Estado. É ali, na transição, que deveria vir a surpresa e não apenas 10 dias depois da posse.

Com os números dos gastos, das contas a pagar, do excessivo número de funcionários e da falta de investimentos em determinados setores nas mãos, a equipe de transição tem um diagnóstico completo para apresentar, no caso, ao governador eleito. Foram 40 dias de trabalho. Esta equipe deveria saber que, na Secretaria da Fazenda, como em outros órgãos, os números estavam encobertos, no escuro e que o novo governo teria dificuldades para gerir os negócios do Estado.

Pelo que deu a entender, na entrevista que o Secretário da Fazenda concedeu à imprensa, na quinta-feira, dia 10, a equipe de transição não conseguiu apurar os números, como também não sabia de nada o atual secretário. E os funcionários de carreira da Secretaria da Fazenda, o que estavam fazendo que não viram isso? Por que este órgão, com competentes servidores permitiu o blecaute?


Para o secretário de Comunicação do Governo, jornalista Hudson José, a explanação do secretário de Finanças foi necessária e importante porque, como o sistema estava fora do ar, o governo não tem como apurar  quais os convênios que foram realizados pela gestão anterior e quais os compromissos a serem cumpridos. “Agora, com a força tarefa, teremos um raio x completo da situação para podermos dar andamento nas ações da pasta e do conjunto do governo”.

Se a equipe de transição preservou o governador Ratinho Junior para que ele e os paranaenses desfrutassem da alegria da comemoração de um novo governo, cheio de esperanças, errou. Sua missão era a de informar o governador que sabia dos números, tanto é que as relações com a gestora anterior por pouco não azedaram na troca de faixa no Palácio Iguaçu. Ratinho Junior sabia que os R$ 500 milhões que supostamente estavam em caixa não passava de presente de grego.

“As finanças do Paraná estão equilibradas e vamos passar o comando do Estado com R$ 5,3 bilhões em caixa”, disse Cida Borghetti em seu discurso na transmissão do cargo no dia primeiro de janeiro. Como Cida sabia desses números? Ou se trata de mais uma mágica de Mauro Ricardo?

Assessores da ex-governadora encaminharam ao secretário Renê Garcia extratos do Banco do Brasil informando valores das aplicações em papeis de renda fixa e de curto prazo feitas pelo estado na instituição.

O certo é que todos, sem exceção, se queixam de rombos no orçamento público, de gastos absurdos que ultrapassam as arrecadações e que com essa herança maldita fica difícil trabalhar. Este chororô faz parte da estratégia para alertar a sociedade de que os dias não serão tão fáceis como se esperava. Ou que as promessas de campanha não serão cumpridas no prazo em que foram prometidas e assim por diante.

Registrei recentemente que não acreditava que o jovem governador, Ratinho Junior, que adquiriu experiência para governar o Estado, iria sair chorando e resmungando sobre a herança maldita porque se ela existe, não há como mudar a não ser arregaçar as mangas e ir à luta. A punição para quem fez  – se é que fez – lambanças é questão para a justiça resolver.

Renê Garcia Junior, secretário da Fazenda, anunciou uma força-tarefa criada pelo Governo do Paraná para avaliar e buscar soluções para problemas detectados na gestão financeira do Estado. “Identificamos situações com risco potencialmente grande e que exigem uma ação rápida do governo”.

Se o secretário da Fazenda foi o porta-voz para dizer ao povo que o bicho é mais feio do que parece, cabe a ele deixá-lo melhor na fotografia.

O governador precisa dessa resposta. E rápida

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.
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