Tropa de choque do governo tenta resolver problema com poderosa China

Pedro Ribeiro

coronavírus, corona, virus corona, coronavirus sintomas, corona virus, o que é coronavirus, china, wuhan, brasil, ministério da saúde, oms, opas, casos confirmados, mortes, casos suspeitos, oms, casos descartados

 

Um texto, da Agência Estadual de Notícias, encaixa como luva nos brasileiros que nutrem um sopro de esperança com a vacina para combater a covid e salvar vidas. Ao mesmo tempo serve, também, para reflexões sobre como nossos dirigentes tratam o tão delicado tema como o da pandemia, começando por desaforos insanos contra os chineses.

Diz o abre do texto: “Gratidão, esperança e alegria. Os sentimentos tomaram conta da pequena Quatro Pontes, cidade de pouco mais de 3,9 mil habitantes, da Região Oeste do Paraná”. As reações se devem ao fato de o município ter conseguido começar a imunização de todos os profissionais da saúde que atuam na linha de frente do combate à Covid-com apenas 40 doses da Coronavac.

Essas pessoas, na sua maioria, não devem ter conhecimento do problema diplomático entre o Brasil e a China que envolve a produção de vacina. Apenas continuam esperançosos e deixam o problema político para os políticos resolverem.

E agora? Depois de engolir desaforos e sapos de autoridades brasileiras, inclusive do filho Eduardo Bolsonaro, a China dá as cartas e o governo brasileiro cai de joelhos. A AstraZeneca, parceira da Fiocruz, precisa do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da China para produzir a vacina contra a covid.

Como lembrou amigo, a metáfora do ex-líder chinês, Deng Xiao Ping, de que não importa a cor do gato desde que ele cace o rato. “O presidente Bolsonaro implora pela liberação do insumo, tentando sair da ratoeira em que se meteu com os filhos e outros alucinados. É trágico,  mas fato, como na metáfora”.

FALTA VACINA

É pouca vacina. O Brasil, que tem mais de 210 milhões de habitantes, tinha em seu território apenas 6 milhões de doses autorizadas para uso, todas da CoronaVac, quando começou a distribuição.

Agora, as perspectivas para a vacinação estão comprometidas pela falta de previsão da chegada de 2 milhões de vacinas vindas da Índia e também de insumos da China para produção de vacinas no Brasil, afetando tanto as doses do Instituto Butantan quanto da Fiocruz.

A Fiocruz reconheceu que a falta de previsão de entrega do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) chinês pode atrasar a entrega dos primeiros lotes da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas no Brasil, previstos inicialmente para 8 a 12 de fevereiro.

Esse cenário é explicado, segundo especialistas, pelas estratégias de política externa daqueles países, dificuldades burocráticas e pelo histórico recente da atuação do governo brasileiro em relação à Índia e à China.

Em entrevista à BBC Brasil, o diplomata aposentado, Roberto Abdenur, ex-embaixador brasileiro em Pequim e em Washington, diz que “o Brasil tem sido passado para trás por decisões de política externa da Índia e da China”.

Com uma carreira de 45 anos no Itamaraty, ele diz que o Brasil vive hoje um “quadro pavoroso” e que “tanto em Nova Delhi quanto em Pequim seguramente há um mal estar com o Brasil que não ajuda na hora de desespero em que nós estamos”.

Embora muitos no Brasil considerem a China dependente das importações brasileiras de itens como soja, carne, minério de ferro, açúcar e celulose, Abdenur alerta que o governo de Xi Jinping tem buscado novos fornecedores e já adotou este ano retaliações econômicas contra outro importante parceiro comercial, a Austrália, reagindo a críticas de autoridades australianas que pediram uma investigação internacional sobre a origem do cronavírus.

Em reação, Pequim elevou barreiras parciais sobre a carne australiana, taxou em 80% a importação de cevada do país e desencorajou chineses a estudarem ou fazerem turismo na Austrália, devido a “numerosos casos de discriminação contra asiáticos”.

“Agora, nesse momento, não podemos olhar para conflitos políticos e todos que têm relação com a China podem ajudar”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que está tentando negociar com diplomatas chineses.acrescentou o presidente da Câmara.

O presidente Jair Bolsonaro reuniu nesta quarta-feira ministros, no Palácio do Planalto, e pediu que todos saíssem em defesa do governo na guerra das vacinas. Uma nota preparada pelo Ministério das Comunicações, comandado por Fábio Faria, dizendo que “outros ministros do Governo Federal têm conversado com o Embaixador Yang Wanming”.

O texto menciona que o próprio Faria e os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, e da Agricultura, Tereza Cristina, haviam participado de “conferência telefônica” com o embaixador.

Bolsonaro escalou o titular das Comunicações para “ajudar Pazuello”. A tarefa de Faria, na presente situação, é preparar um plano na tentativa de vencer a batalha da comunicação envolvendo os episódios relativos ao coronavírus.

Enquanto Jair Bolsonaro busca destravar o diálogo com a China, a pedido de João DoriaMichel Temer ligou para o ex-embaixador chinês Li Jinzhang e tratou da liberação dos insumos usados na produção da Coronavac. O diplomata ocupa posto no governo Xi Jinping, em Pequim.

O ex-presidente lembrou da boa relação entre os dois países, e o quanto a China foi relevante para o Brasil à época da Operação Carne Fraca, garantindo as importações do produto brasileiro. Temer ressaltou a importância dos insumos para a vacina neste difícil momento.

Previous ArticleNext Article
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
[post_explorer post_id="740598" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]