Um militar de baixo escalão pode participar de ato político a exemplo de Pazuello?

Pedro Ribeiro

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Em conversa de amigos neste sábado, onde a política sempre está presente, veio uma pergunta: se o general amigo, gordinho do coração do presidente Jair Bolsonar, Eduardo Pazuello, pode fazer manifestação política, como fez e ainda foi absolvido pela comissão de disciplina e ética do Exército, um sargento ou um capitão também podem se proceder da mesma forma, ou seja, ir a um ato de manifestação pró Bolsonaro ou pró Lula ou prol qualquer outro candidato?

O tema levou quase duas horas para se chegar a uma conclusão, porém, sem acordo. Não pode, diziam uns e pode, afirmavam outros. Na roda tinha um militar, da PM, que foi radicalmente contra a participação de qualquer militar em atos políticos. Não pode, esbravejou. Um outro, com tendências bolsonaristas explícitas disse que pode, já que, no caso de Pazuello, no ato no Rio de Janeiro, não era um comício.

O jornalista a amigo, Alceo Rizzi, deu sua opinião: “Na tentativa de conter o desgaste e manter a disciplina que ajudou a quebrar, o comandante do Exército e o Alto Comando estariam agora pensando em orientar seus generais subordinados nas gerências de tropas e de quartéis, para que recomendem também aos militares graduados sob suas guardas a não participarem de manifestações do presidente, como os desfiles de motos etc.

Tiro de canhão no pé, bumerangue, depois da omissão de autoridade em que eximiu o general de Divisão da ativa e ex-ministro da Saúde de punição, por infração ao código de disciplina, ao participar de ato público não oficial com o presidente. E se a recomendação não for acatada por algum militar, vai reagir e punir, caso o presidente novamente decida defender o infrator e exigir que ele seja poupado, como fez e aconteceu com seu general vassalo?

Agora que o casco foi arrombado usam de esparadrapos e de peneiras para retirar a água. Não ocorre ao Comandante e ao Alto Comando a necessidade de manifestação pública e oficial de reposicionamento, reafirmando seu código disciplinar e a deixar explícito que a instituição militar, cumprindo preceitos constitucionais e seus Estatutos estará pronto para evitar e coibir com rigor atos de indisciplina na tropa.

Não apaga a humilhação e o desgaste que já sofreram, mas não deixa a porta aberta para que novas aconteçam. E, se acontecerem, eventualmente, terem a oportunidade de reparar os danos já causados. Sem recorrer a esparadrapos e peneiras.

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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