Um ministério sem políticos, o desafio da geração de empregos e a ameaça da esquerda derrotada

Pedro Ribeiro


 

Com um discurso mais liberal – esperamos que continue assim e que cumpra o que fala – o presidente eleito, Jair Bolsonaro, vem, aos poucos, colocando os pés no chão e admitindo que a coisa não é bem assim. A pose de mandatário, de paladino da justiça, pode ter sido uma estratégia de campanha mas, agora, é diferente e terá que rezar a cartilha da democracia, da Constituição e da liberdade. O tosco terá que dar lugar a um estadista, a uma pessoa civilizada, normal, pois se continuar a raciocinar sozinho, será um desastre.

Com as abóboras ainda sendo colocadas na carroça, nos parece que Bolsonaro vai ouvir seus principais assessores e ponderar em relação a algumas atitudes que o colocam como um extremista de direita, de caçador de comunistas. A escolha do juiz Sergio Moro como ministro da Justiça já é um sinal de que terá, a seu lado, experientes cabeças na área jurídica com noções sobre o que pode ser feito e o que não deve ser feito. Também o deputado Onyx Lorenzoni se revela um articular político capaz de conversar no Congresso Nacional.

Nos agrada, por exemplo, a ideia de que Bolsonaro não nomeará nenhum deputado ou senador para seu ministério à exceção do próprio Lorenzoni. Quer atrair apoio do Congresso Nacional sem assumir compromissos, o que é bom. O presidente eleito acredita que a gestão técnica, sem influência política seria a garantia para melhores resultados.

Todos sabemos que Bolsonaro terá grandes desafios pela frente sejam econômicos, políticos, sociais (desemprego) e segurança pública, o qual promete agir com mão de ferro. Terá, também, um pelotão de extremistas da ala esquerda que tentarão infernizar sua vida ao longo dos próximos quatro anos. Nesse time da pesada estão o aproveitador e cão de aluguel, Guilherme Boulos, a deputada eleita que chegou a trocar o nome, Gleisi Hoffmann, Manuela D’Ávila e o próprio Fernando Haddad.

Entendo que a tarefa mais difícil de Bolsonaro será a retomada do desenvolvimento do país, onde a geração de empregos exige investimentos da iniciativa privada em setores de mão de obra. Como bem diz Almi Pazzianotto, para que haja investimentos é fundamental se restabelecer – se um dia houve – clima de segurança jurídica. O capital é móvel e covarde. Vai para onde quer, mas só fica onde for bem tratado. Ao governo compete assegurar a investidores, na lavoura, na pecuária, no agronegócio, na indústria e no comércio, que estarão protegidos contra o rancor de marxistas-leninistas adversários da iniciativa privada.

Pela carta que o empresário Abilio Diniz encaminhou ao presidente Jair Bolsonaro e publicada na edição desta terça-feira do jornal O Estado de S.Paulo, a classe empresarial efetivamente produtiva estará ao lado do novo presidente do Brasil. Veja a carta:

Carta ao Presidente

 

‘Queremos um só Brasil de e para todos os brasileiros. A luta deve ser numa direção única de melhorar a vida de todos’

Presidente Jair Bolsonaro, parabéns. Você venceu uma disputa extremamente difícil, penosa, agressiva, que quase lhe custou a vida. Não precisava ter sido assim, mas já foi. Você agora representa a esperança.

A esperança de que não será mais do mesmo, a esperança de que o Brasil mudará e será um país mais solidário, unido e tranquilo. Todos estão olhando – alguns com muita esperança, outros com desconfiança e até medo.

O primeiro a fazer é trabalhar para terminar com essa divisão e radicalização. É preciso baixar o fogo e trabalhar para construir o caminho da prosperidade e da felicidade. Suas palavras após a vitória já foram nesse sentido. Queremos um só Brasil de e para todos os brasileiros. A luta deve ser numa direção única de melhorar a vida de todos.

A retomada do crescimento econômico sustentável, que gere riqueza a todos os segmentos sociais, se apresenta como a melhor forma de pacificar o País. Essa é a agenda mais positiva e exequível para unirmos esta Nação.

A esperança de nós empresários é que você derrube as travas que seguram nossa capacidade de produzir riqueza e empregos.

Os empreendedores e os investidores, tanto no Brasil quanto no exterior, conhecem bem a capacidade de trabalho brasileira. Com todas essas crises, seguimos entre as dez maiores economias do mundo. Há muitos recursos a serem investidos aqui que podem dar rumo e confiança ao País.

O bom empresário não quer benesses ou facilidades, mas apenas condições para trabalhar. É preciso aprovar o quanto antes no Congresso reformas estruturais que libertem a atividade econômica de suas amarras. Será um trabalho árduo, mas imprescindível para o sucesso do seu governo.

Você tem todas as condições de fazê-lo, legitimado pelos votos recebidos defendendo as reformas. Este é o momento de o Brasil entender de uma vez por todas que, como em nossas vidas, o governo não pode gastar mais do que ganha nem viver com déficit crescente. Mais do que tudo, é preciso restaurar a confiança no País.

Não há melhor forma de distribuir renda do que dar oportunidades e trabalho para que todos possam se sustentar com seus empregos, aumentando a renda, a dignidade e a confiança da população. O Brasil tem condições excelentes para voltar a crescer. Só o déficit público é uma preocupação urgente.

Durante minha vida empresarial, já vi situações piores e superamos. Nesta última crise, dura e longa, talvez tenhamos aprendido algo importante na condução econômica – sua eleição me faz pensar assim.

Pelo desenvolvimento econômico é possível unir o Brasil. Vamos reduzir as tensões gerando empregos e distribuindo riqueza pela remuneração justa do trabalho. O desenvolvimento socioeconômico, num regime democrático, é o grande caminho para unir o País, na medida em que as pessoas voltem a trabalhar com senso de propósito, confiança no presente e esperança no futuro.

 

 

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.