Uma bomba nas mãos do governador Ratinho Junior

Pedro Ribeiro

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O governador Ratinho Junior tem, em mãos, uma bomba para desarmar com prazo de 60 dias para explodir. Os efeitos serão danosos social e economicamente para o Paraná e os paranaenses. Dia 27 de novembro terminam os contratos das concessionárias que administram o anel de integração”, o famigerado pedágio, criado no governo Lerner há 24 anos.

O levantamento ou não das cancelas a partir desta data é de responsabilidade do governador Ratinho Junior. Na Secretaria de Infraestrutura, a ordem do secretário Sandro Alex é para não aditivar ou renovar os contratos com as concessionárias. Para ele, seja o que Deus quiser, pois acha que o DER dá conta do recado. Engano.

Abrir as cancelas seria um ótimo negócio político para Ratinho Junior e seus aliados, candidatos a deputados e senador, onde poderia anunciar ao povo paranaense que o DER daria conta do recado, ou seja, manteria as estradas. O DNIT já avisou que está fora, a não ser que assumiria, através de renovação de contratos apenas as rodovias federais.

Fontes de fora e de dentro do DER, com conhecimento sobre o assunto, sustentam com todas as letras que o órgão estadual não tem condições de manter sequer 100 quilômetros de rodovia, imaginem todo o “anel de integração”, com perto de 2.500 quilômetros.

Soma-se a isso, o número de funcionários que cada concessionária possui hoje para manter seus trechos e as praças de pedágio. São em torno de 2 mil trabalhadores cada uma das seis operadoras, o que representa 12 mil funcionários.

Se o Palácio Iguaçu abrir as cancelas, a pergunta é essa: o governo tem mesmo condições de manter as rodovias em ordem?

A partir de novembro, como todos sabem, começa o período de chuvas no Brasil. Também há expectativas de redução da pandemia, o que significa que, aliado às férias, grande parte dos cidadãos que hoje estão confinados em suas casas vão querer se deslocar para as praias ou viagens de visitas a parentes e amigos.

E tem mais um agravante: em janeiro, fevereiro e março, teremos o pico do transporte da safra de grãos (soja). As rodovias vão aguentar?

Do governo federal vem um recado nada amistoso ao Palácio Iguaçu. “O problema do pedágio a partir do dia 27 de novembro é totalmente do governo paranaense. O governo federal só entra na jogada a partir da licitação das novas concessionárias, o que deverá acontecer por volta de maio ou junho de 2022”, disse um alto interlocutor do Ministério da Infraestrutura.

O empresariado local, principalmente o setor de transportes de cargas e agronegócio está nervoso com esta situação. Tem certeza de que o Governo do Estado não terá condições de manter os 2.500 quilômetros de rodovias, o que poderá trazer transtornos nas estradas, sem calcular eventuais acidentes de grandes proporções.

Quem se responsabilizará por isso?

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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