Uma eleição sem perspectiva de melhora para o país

Pedro Ribeiro


 

Grupo de empresários que tem interesse e participa ativamente da política estadual e nacional tentava desenhar, neste final de semana, um quadro sobre as eleições no país a serem realizadas em outubro. Para eles, perto de 50% dos eleitores não estão interessados no pleito por estarem descontentes com a atuação dos parlamentares, sejam nas assembleias legislativas nos estados ou no Congresso Nacional e principalmente pelo quadro de pré-candidatos à Presidência da República que não empolga, não chama a atenção, à exceção da pirotecnia dos petistas em defesa de Lula e dos direitistas em querem um militar no poder, no caso Jair Bolsonaro.

A grande onda de denuncismo e delação diante da corrupção que nos envergonha como brasileiros, também reprimiu os eleitores que acabaram de perder o interesse pela política, o que é ruim para a democracia. No caso paranaense, a eleição para o governo também vem sofrendo revés com total desinteresse pelos pré-candidatos, o que leva a crer que, realmente, teremos um grande número de votos em brancos e nulos nas eleições de outubro.

Além disso, no Paraná, como em todo o Brasil, a eleição será um teste de vestibular para os eleitores: quatro a cinco candidatos ao governo, cinco a seis para o Senado (vota-se em dois), centenas de candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. Uma salada. Se o cidadão não levar a famosa colinha, certamente vai se atrapalhar na hora de votar.

Agora, pela manhã, consultando os jornais, encontrei no editorial do Estadão, a resposta m torno da discussão dos empresários. “Há na política nacional um clima de apatia e desencanto. Em menos de cinco meses haverá eleições e o cidadão mostra-se reticente com suas preferências. “Os eleitores estão sem perspectiva de melhora”, diz Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência. “Não conseguem ver como sair desse lugar em que estamos, não conseguem enxergar uma luz no fim do túnel.”

Na análise, o Estadão diz que “há evidências empíricas, portanto, de que o modo como o País é governado tem consequências práticas sobre a população. Em tese, tal constatação deveria ser mais que suficiente para que o eleitor reconhecesse a importância da política e, portanto, das próximas eleições, para o seu futuro imediato. Do resultado das urnas dependerá a continuidade da reconstrução do País”.

A percepção sobre a importância das eleições é, no entanto, ainda muito frágil. Na prática, a ideia de que as eleições periódicas são fundamentais para o País convive, sem maiores conflitos, com um profundo alheamento da política. Em geral, não se nega o valor do voto, mas ele é visto como incapaz de mudar o País. Segundo esse raciocínio, o melhor seria não criar expectativas com as eleições. Ou seja, o cidadão não parece disposto a utilizar o voto como um poderoso instrumento de mudança.

Entre as causas da apatia, que conduz a graves distorções na representação, ressaltam o populismo praticado pelo PT ao longo das últimas décadas e a demagogia que se tornou método de quase todos os partidos. De certa forma, o eleitor tem razão para estar frustrado. Foi-lhe dito que não era preciso cuidar do equilíbrio fiscal, foi-lhe prometida a diminuição dos juros por simples ato de vontade da presidente da República, foi-lhe afirmado que o déficit da Previdência não era motivo para preocupação, assim como tantas outras barbaridades.

O lulopetismo prometeu ao brasileiro um futuro espetacular sem necessidade de esforço. A única condição para que o paraíso fosse definitivamente instalado na terra era manter o PT no poder. Como bem se sabe, não foi isso o que ocorreu. As lideranças petistas trouxeram de volta a inflação, o desemprego, o aumento dos juros. Em suma, o PT deu motivo para que a população desconfiasse do governo – qualquer governo – e descresse do País.

Para piorar, a crise econômica veio acompanhada de grandes escândalos de corrupção. Sob o discurso da preocupação social, tão repetido pelos petistas, havia uma enorme podridão moral, capaz de gerar casos como o do mensalão e o do petrolão. Os recursos públicos desviados ganharam proporções inéditas.

Diante desse quadro, houve quem tenha vislumbrado a oportunidade para difundir a ideia de que todo o sistema político estaria podre. Com adeptos no Judiciário e no Ministério Público, essa causa disseminou ainda mais desconfiança em relação à política. Se, como afirmam, tudo está irremediavelmente podre, qualquer medida que venha da política estaria viciada pela raiz. Essa atitude é profundamente antidemocrática, pois o trabalho de reconstrução do País caberia apenas a alguns poucos iluminados, que não receberam nenhum voto para isso.

O eleitor precisa resgatar o seu protagonismo, ressaltando toda a importância do voto para o futuro do País. Isso não significa que a simples ocorrência de eleições seja garantia inexorável de um futuro promissor. Significa que o voto é o instrumento democrático e legítimo para a mudança dos hábitos administrativos e dos costumes políticos que têm levado o País ao fundo do poço. Somente a consciência dos nefastos efeitos de escolhas irresponsáveis nas eleições pode levar o eleitor a uma conduta mais madura diante das urnas. Não se constrói um País sem a ativa participação política e o trabalho de seu povo. (Estadão)

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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