Viadagens que levantaram a bola para um capitão destrambelhado

Pedro Ribeiro


 

Não se trata de implicância com a esquerda que respeito coexistir dentro de um ambiente democrático, mesmo tendo restrições ao que ela pensa, mas cá entre nós, 16 anos do PT no poder fez o nosso cotidiano terrivelmente chato em alguns aspectos. E nem falo sobre o abismo econômico em que o Pais foi lançado, com a mais grave recessão de sua História.

Refiro- me a essa camisa-de-força em que se transformou o chamado politicamente correto, que ao longo dos anos foi disseminado pra todo canto nos deixando numa espécie de estado policial de nós mesmos. Foi ficando tudo tão terrivelmente chato.

Mas é uma chatice só o que fizeram com a linguagem popular, ainda que seja consenso o pretendido objetivo de combater preconceitos como se alegou sempre, e quanto a isso não há retoque a fazer, todo estamos de acordo, o que se discute aqui é a maneira de fazer.

O pior é que foram aos poucos transformando em ofensas e insultos passíveis de punições com o peso da lei, expressões que durante décadas, talvez desde o descobrimento, estavam incorporadas ao patrimônio linguístico e cultural do Pais.

A tal ponto que, se você tiver um amigo de cor negra e inadvertidamente chamá-lo de Negão em um ambiente público e em meio a gente que você não conheça, pode ser imediatamente importunado e acusado de racista. Ainda que seu amigo não se importe e seja assim chamado carinhosamente até por seus familiares.

Mas a chatice nesses anos todos de politicamente correto se espalhou para todo lado, não poupou expressões de domínio público e que há décadas são encontradas nos dicionários da Língua Portuguesa, algumas usadas como figuras de linguagem, não necessariamente interpretadas ipsis-literis.

Tempos atrás, por exemplo, se uma pessoa fizesse alguma manifestação, se expressasse de uma maneira fora do entendimento ou do senso comum, que destoasse de um ambiente ou de uma cultura, fosse relativamente incompreensível ou mal interpretado, de uma forma ou de outra fora da casinha, tudo se resumia a uma sentença que era então aplicada. “ Isso é uma viadagem” – reagiam de pronto na escala de classificação, sem que isso representasse necessariamente um preconceito com a opção sexual de quem quer que fosse, como se pretende qualificar nos dias atuais.

Essa “viadagem”, com a devida licença poética, tomou conta do politicamente correto a ponto de seus adeptos, incrustrados na esfera do poder populista sindical que governou o País achar que o céu era o limite. Só não entraram nas searas das Igrejas que tem seus próprios decálogos, mas não pouparam nem mesmo as escolas com a pretendida doutrina e da visão muito própria deles.

Estavam apenas levantando a bola para aquele capitão que vinha na contramão, atropelando tudo, politicamente incorreto, destrambelhado em declarações preconceituosas em todos os graus e gêneros. Viadagem, aliás, foi muitas vezes a expressão empregada por ele para definir o que os geniais educadores e orientadores culturais da era petista pretendiam.
E deu no que deu!

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal