Tempos de anarquia

Em fins do século 19, movimentos ideológicos anarquistas, pela supressão da existência do Estado, eram mais temidos que qualquer outra ameaça, se espalhavam e cresciam pelos países da Europa.

Redação - 14 de fevereiro de 2022, 09:37

Alceo Rizzi/Divulgação
Alceo Rizzi/Divulgação

 

Por Alceo Rizzi

Em fins do século 19,  inicio do seguinte, movimentos ideológicos anarquistas,  pela supressão da existência do Estado, eram mais temidos que qualquer outra ameaça, se espalhavam e cresciam pelos países da Europa. Néstor Ivánovitch Makhnó  um de seus principais líderes era ucraniano, comandava também o movimento revolucionário em seu país e cujas tropas tiveram participação decisiva na vitória dos bolcheviques, e no fim do Império russo. Alcançado o poder, os anarquistas foram perseguidos e exterminados pelos então aliados, notadamente depois de Joseph Stalin assumir. A História da Rússia com a Ucrânia registra episódios dramáticos e criminosos em suas relações nos anos que se seguiram. Mais de quatro milhão de ucranianos, sem distinção entre mulheres, homens e crianças, foram condenados a morrer de fome por Stálin. Durante anos Stalin se apropriou de toda a safra de grãos e de estoques de alimentos produzidos pelos ucranianos. Eram todos destinados à alimentação de tropas militares nazistas do Terceiro Reich, no pacto de não agressão entre os dois países que ele assinou com Hitler, até este decidir  romper o acordo e atacar a Rússia mais tarde. Imponderável saber o que faria hoje o líder dos anarquistas diante da ameaça da Rússia de Invadir a Ucrânia, diante do seu histórico pessoal e do que se passou depois com o país nos anos de Stálin. E também  se ele apoiaria o ingresso de seu País no  Tratado dos Países  do Atlântico Norte, a Otan,  nascido no período da guerra fria para proteger países da influência e da ameaça de expansão do socialismo soviético.  Um  pacto que nada mais é do que espécie de irmão siamês  anacrônico do que antes era o Pacto de Varsóvia, criado pela antiga União Soviética para manter os países sob sua forte influência , extinto em 1991 com a derrocada definitiva do regime. Numa época em que potências militares detentoras de vastos e até desconhecidos arsenais nucleares que são  capazes incinerar o planeta dezenas de vezes, a disputa   de poder geopolítico e de influência territorial  tem apenas sabor para a indústria bélica, como  a americana, para vender e testar seus outros  artefatos de morte. Com a Europa seguindo de arrasto, ao que o líder russo, após encontro com o  presidente da França, Emmanuel Macron, observou em entrevista coletiva à imprensa: " Vocês não vão ter tempo nem de piscar". Se referia  ao potencial atômico nuclear da Rússia em eventual tentativa de conflito militar por causa da Ucrânia. Uma anarquia de outra natureza, e bem mais perigosa!

Alceo Rizzi é jornalista e colaborador do Paraná Portal