De olho no mercado internacional, produtores de goiaba buscam certificação

Mariana Ohde


Com informações do Sebrae/PR

Um grupo de 18 produtores de goiaba de Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, está se preparando para obter a certificação Good Agricultural Practices (Global GAP), que pode aumentar suas chances de conquistar o mercado internacional.

Todos integram a Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC) e já possuem o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O processo de certificação é acompanhado pelo Sebrae/PR e Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A coordenadora de Agronegócios, Alimentos e Bebidas do Sebrae/PR, Andréia Claudino, afirma que a certificação é um dos requisitos para a abertura de novos mercados. “O nosso objetivo é tornar o grupo mais profissional e competitivo para que possa aproveitar as oportunidades de negócios internacionais”, explica.

Segundo ela, em novembro, técnicos da União Europeia visitarão a APC para avaliar a possibilidade de concessão da Indicação Geográfica Protegida (IGP) da União Europeia.

O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, afirma que a expectativa é de que a APC conquiste a certificação em caráter coletivo. “A partir daí, os produtores encontrarão portas abertas para exportar para a Europa, um mercado gigante e que não tem goiaba”, acrescenta.

Ele explica que, no projeto setorial da IG, o trabalho é voltado para a diferenciação do produto, mas para que a goiaba de Carlópolis seja reconhecida e valorizada no mercado internacional, foi necessário buscar a certificação. “Há três anos estamos trabalhando para isso e todo esse trabalho será compensado pelo retorno financeiro. A expectativa é de que o preço do produto seja valorizado em pelo menos 100%”, calcula.

O agrônomo e pesquisador da Unesp de Bauru (SP), Aloísio Costa Sampaio, conta que a Global GAP foi desenvolvida pela rede de supermercados da Europa. “Todo produto de origem vegetal exportado para o mercado europeu precisa ter esse certificado”, explica.

Segundo ele, as premissas básicas para um produto ser certificado resumem-se em dois pontos: segurança alimentar e rastreabilidade. Antes de receber a equipe de auditoria, serão necessárias adequações na estrutura de armazenamento e treinamento dos funcionários para atuarem dentro dos padrões de produção internacional.

De acordo com Sampaio, serão verificados itens como a limpeza e proteção do “packing house”, o barracão onde as goiabas ficarão armazenadas, contra impurezas físicas, químicas e biológicas; poda em pomar dividido por talhões com placas de identificação para rastreamento; ensacamento; manejo de pragas, que deve ser feito apenas com defensivos específicos para a goiaba e registrados no Ministério da Agricultura; Cadastro Ambiental Rural dos produtores; outorga da água para a irrigação do pomar; além de uma série de capacitações exigidas. “A filosofia é a sustentabilidade. É necessário atender todos os critérios para produzir de maneira econômica, social e ambientalmente sustentável”, resume.

O produtor de goiaba e presidente da APC, Rodrigo da Silva Viana, diz que esta será a primeira tentativa de certificação. “Estamos ainda aguardando recursos para fazer as adequações necessárias no barracão”, conta. A família de Viana produz a fruta há 25 anos numa propriedade de 4,5 hectares.

O produtor Noriaki Akamatsu destaca a importância da certificação para que o grupo de Carlópolis não dependa de terceiros para exportar as frutas. Akamatsu trabalha há quase 30 anos com produção de goiaba. Hoje, ele abastece o mercado interno com aproximadamente 80 toneladas da fruta por ano.

Certificação

O Global GAP é um protocolo privado de certificação voluntária, com reconhecimento internacional de Boas Práticas Agrícolas. Além de ser uma ferramenta para a abertura de novos mercados e fidelização dos já atendidos, o objetivo da certificação é aumentar a confiança do consumidor na inocuidade dos alimentos, demonstrando o compromisso do produtor com a segurança e sustentabilidade alimentar.

A norma aborda principalmente os pontos de rastreabilidade, técnicas de produção (uso controlado de defensivos químicos), preservação do meio ambiente e recursos naturais, aspectos higiênicos (não-contaminação química, física e biológica) e sociais (ambiente de trabalho adequado).

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal