‘Vou cobrar do PT para ser candidato à presidência’, afirma Lula

Andreza Rossini


O ex-presidente Lula participa de uma coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (13). Ele foi acompanhado pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), os advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira e outros membros do partido.

Lula foi condenado na quarta-feira (12) a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente afirmou que a condenação é uma tentativa de tirá-lo do jogo político e anunciou que quer participar das próximas eleições. “Eu estou no jogo. Vou cobrar do PT o direito de me colocar como postulante a candidato a presidência da república”, afirmou. “A única prova que existe nesse processo é a da minha inocência”, disse o ex-presidente. “Eu acho que o Moro tem que prestar contas à história, que vai dizer quem está certo e errado”, completou. “Quem acha que é o fim do Lula, quebrou a cara”, disse.

Para Lula, a condenação é uma tentativa de tirá-lo do cenário político. Ele disse que continua candidato à presidência do país nas eleições de 2018. O ex-presidente rebateu a tese de que existem provas contra ele no processo, que o levou a ser condenado. “Queria desafiar os meus inimigos e donos meios de comunicação que fizessem um esforço incomensurável para apresentar uma única prova. Porque a única prova que eles apresentam foi um papel rasurado”, criticou.

Lula também citou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele afirma que a condenação é a “finalização do golpe” realizada para tirá-lo do cenário político, afastando assim o Partido dos Trabalhadores da presidência.

Nos primeiros minutos de coletiva, Lula afirmou que esperava a condenação de Moro desde que a denúncia foi aceita pelo juiz. “Eles já estavam com a concepção do processo pronta”, disse.

O ex-presidente citou os acordos de delação premiada firmados pela Operação Lava Jato, em que os delatores os acusam. “Era uma condição me citar na delação para não ficar preso por 20 anos”, ponderou o ex-presidente.

O ex-presidente também afirmou que, ao lado da defesa, vai recorrer em todas as instâncias da Justiça.

Decisão do TRF4

Apesar de condenar o ex-presidente, Moro não determinou a prisão de Lula até a decisão do Tribunal Federal Regional da 4ª Região, instância superior da Justiça. “Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade”, diz o despacho.

A condenação

O ex-presidente foi denunciado em setembro de 2016. Na denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula foi apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá. Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil.

De acordo com o MPF, Lula teria participado conscientemente do esquema criminoso, inclusive tendo ciência de que os Diretores da Petrobras utilizavam seus cargos para recebimento de vantagem indevida em favor de agentes políticos e partidos políticos.

Nas alegações finais, a defesa argumentou que o triplex apontado pelos procuradores como sendo de Lula pertence a Caixa Econômica Federal. “Nem Léo Pinheiro nem a OAS tinham a disponibilidade deste imóvel para dar ou para prometer para quem quer que seja sem ter feito o pagamento à Caixa Econômica Federal”, declarou o advogado Cristiano Zanin Martins durante entrevista coletiva no dia 20 de junho.

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