Bons resultados na pecuária dependem da genética, nutrição e sanidade

Sindicato


Por Coamo

Bons resultados na pecuária, seja de corte ou leite, dependem fundamentalmente de três pilares: genética, nutrição e sanidade. É como se fosse uma grande engrenagem, em que cada item se integra, resultando no sucesso da atividade. Inovação, investimento e dedicação são outras três palavras que devem fazer parte do dicionário de quem trabalha com bovinos.

Quando o assunto é alimentação, a maior preocupação é com a chegada da estação mais seca do ano. Sai na frente quem se planejou e tem estoque de alimento para passar com tranquilidade pelo período. Para um bom planejamento alimentar, o criador deve saber qual a demanda de consumo, levando em conta o plantel existente.

Os fatores de decisão dependerão das possibilidades existentes para a produção de forragens específicas de inverno, além do clima e condições de solo de cada região. Algumas propriedades podem lançar mão do uso de silagens de capins; milho; sorgo e cana-de-açúcar, que também podem ser fornecidas in natura; de fenos produzidos a partir de diversas forrageiras e pastagens específicas como a aveia preta e o azevém.

De acordo com o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do departamento Técnico (Detec) da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), o planejamento alimentar é um item primordial nos sistemas de produção pecuário.

“É preciso estabelecer no início de cada período produtivo, quais serão as estratégias e atividades desenvolvidas para produzir e suprir a quantidade predeterminada de alimento. Pode ser volumoso – fresco ou conservado, pastejados ou fornecidos no cocho – e concentrados, fornecidos na forma de suplementação, semi-confinamento ou confinamento”, comenta.

Por meio de um planejamento alimentar bem elaborado, conforme Rosseto, consegue-se suprir a demanda nutricional dos animais, buscando a produção potencial do rebanho. “Para isso, é necessário estabelecer uma sequência ordenada de ações, com objetivos previamente estabelecidos, que podem ser o ganho de peso vivo na atividade de corte ou a produção de leite na atividade leiteira.”

Rosseto explica que o primeiro passo é diagnosticar as necessidades alimentares mensais das diversas categorias existentes no rebanho, bem como a oferta alimentar existente na propriedade. “Levantar a área de pastagem existente e a produtividade, quantidade de silagem armazenada ou a ser produzida e quanto de cereais ou ração concentrada há armazenado ou, se será necessário, adquirir”.

Ele acrescenta que após o conhecimento da situação alimentar do plantel, devem ser desenvolvidos os meios de manejo para que a demanda nutricional dos bovinos seja suprida, atingindo o máximo do potencial produtivo de cada categoria animal.

Requisitos 

  • Ter a estrutura atual do rebanho (número e peso dos animais em cada categoria);
  • Índices zootécnicos da propriedade (mortalidade, ganho de peso, duração média das lactações, produção individual de leite, etc.);
  • Definir época de descarte dos animais;
  • Montar uma projeção da evolução ou manutenção do rebanho para o período, calculando a necessidade alimentar para cada categoria animal;
  • Estabelecer a área necessária para produção das forrageiras que serão utilizadas como volumoso para as diversas categorias (pasto adubado, pasto sem adubação, silagem de milho, pasto de aveia e azevém, etc.);
  • Estipular a quantidade de cereais ou ração concentrada que será necessária para suprir a demanda nutricional estimada para os animais em produção.

Produção de leite

Genética, nutrição e sanidade. Inovação, investimento e dedicação. São conceitos que se encaixam perfeitamente na filosofia do cooperado Roni Nelmes Kruger, de Mamborê. Trabalhando na pecuária há cerca de 25 anos ele não mede esforços para garantir uma produção sustentável e rentável. Tudo começa com o planejamento alimentar. O modelo de trabalho na propriedade Santa Bárbara é de confinamento (compost-barn) e os animais recebem alimentação a base de silagem de milho e pré secado, além da ração.

Roni explica que os pré-secados produzidos no inverno são de milheto e aveia, culturas cultivadas após a retirada da soja. No verão a produção é com gramíneas, sendo as opções por estrela africana, tifton e brachiária ruziziensis.

O cooperado sempre busca inovação para melhorar a alimentação do rebanho. Ele conta que trocou equipamentos, modernizou maquinários e investiu em infraestrutura pensando no bem-estar animal. “A alimentação que estamos usando agora, foi produzida no verão e a que utilizaremos no próximo verão, estamos preparando agora. Todo processo é realizado em parceria com a assistência técnica da Coamo que ajuda na elaboração dos alimentos e intervalo da alimentação”, diz.

Kruger ressalta que o período mais frio é o melhor para a produção de leite, desde que os animais tenham uma boa alimentação. “No inverno, é hora de ganhar dinheiro. Durante o verão, a renda com o leite apenas cobre as despesas”, observa.

A propriedade abriga cerca de 160 animais, sendo uma média de 65 em lactação. A produtividade gira em torno de 24 a 25 litros/dia por animal. “Não estamos fazendo uma dieta cara. Damos o necessário para os animais. É uma forma de diminuir o custo e aumentar a produção. Quanto mais se produz, mais precisamos trabalhar para manter a produtividade”.

Desafio

Conforme o médico veterinário Vinicius Dziubate de Andrade, do Detec Coamo em Mamborê, chegar neste período com boa quantidade e qualidade de alimento é um desafio. “É um trabalho que precisa de planejamento. Fazer silagem de acordo com a necessidade anual, seja no inverno ou verão, é uma boa solução. No caso da família Kruger ainda tem os pré-secados que é uma importante fonte de alimento para os animais”, assinala.

Andrade salienta que um bom planejamento alimentar deve ocorrer pelo menos com um ano de antecedência. Isso porque pode acontecer algum problema climático durante o ciclo da cultura. “Ter um bom estoque de comida garante um inverno mais tranquilo. A família Kruger é referência em produção de leite na região. Além de boa genética e sanidade dos animais tem um bom planejamento alimentar. Vale aquela velha expressão: o leite entra pela boca. Então, para uma boa produtividade é necessária uma boa alimentação”, assinala.

A região central do Paraná é uma das referências quando o assunto é produção de leite. A bacia leiteira é formada, em sua maioria, por agricultores familiares que têm na atividade importante fonte de renda.

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