Cidades pequenas lideram geração de empregos no Paraná

Mariana Ohde


A cidade de Capanema, no sudoeste do Paraná, foi a que mais gerou empregos no primeiro semestre do ano. O saldo positivo foi de cerca de 2.500 vagas. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Em parâmetros nacionais, a cidade ficou em sexto lugar em todo Brasil na geração de empregos no período.

A construção da hidrelétrica Baixo Iguaçu, na região, foi o principal motivo para o elevado número na criação de vagas no mercado de trabalho. A usina deve ficar pronta em 2018 e o custo estimado é de mais de R$ 1,6 bilhão. Os números da cidade de Capanema vão na contramão do resto do estado, que teve mais de 16.700 vagas de empregos formais fechadas no primeiro semestre.

Segundo a economista do Observatório do Trabalho, Suelen Glinski, setores como o da construção civil e o de frigoríficos são os que estão puxando o emprego em cidades do interior. “O emprego formal no estado do Paraná está bem concentrado no interior. Os municípios de pequeno porte são os que vêm se destacando nesse primeiro semestre de 2016, na criação de empregos. Principalmente no setor sucroalcooleiro, a construção civil, principalmente no município de Capanema, (…) assim como a indústria frigorífica do estado que é bem forte e voltada para a exportação”, explica.

Das dez cidades que mais geraram vagas no primeiro semestre no Paraná, nove tem menos de 65 mil habitantes. A exceção é Toledo, que tem mais de 100 mil habitantes. Já as cidades maiores tiveram redução no número de vagas. Elas são as mais afetadas pela crise, principalmente, por causa da retração da indústria. “O estado do Paraná é um estado muito forte, principalmente por causa da indústria frigorífica, que está favorecida pela alta do dólar e por conta das exportações. O Paraná é o principal produtor de frango do país hoje e as exportações têm um peso muito forte. E isso faz com que as contratações, o emprego formal, venham se mantendo”, afirma Suelen.

No primeiro semestre, a Região Metropolitana de Curitiba foi a que mais perdeu postos de trabalho – cerca de 3.300 vagas. Em todo o país, as demissões atingiram quase 532 mil vagas formais nos primeiros seis meses deste ano.

Paraná

O Paraná perdeu 16.763 mil vagas de emprego formal de janeiro a junho de 2016 – resultado da diferença entre 568.161 admissões e 584.673 demissões. Em 2015, o saldo negativo havia sido de 13.998 vagas perdidas. Só o mês de junho de 2016 acumulou saldo negativo de mais de 7.130 mil postos de trabalho fechados – diferença de 87.374 admissões e de 94.504 demissões. Nos últimos 12 meses, 108.390 pessoas perderam o emprego no estado.

Segundo o levantamento do Caged, os setores que mais demitiram no estado foram o da Indústria de Transformação (-2.816 postos), Serviços (-1.738 postos), Comércio (-1.533 postos) e a Construção Civil (-1.473 postos).

O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Roberto Zurcher, explica que a indústria vem apresentando quedas há dois anos, o que pode explicar a diminuição no número de postos de trabalho. “No ano passado, tivemos o início do ajuste, do novo patamar de produção com o emprego – ou seja, a indústria começou a demitir porque não tem capacidade de produção como tinha anos atrás”, explica, ressaltando que este é um processo em andamento, atualmente, no Paraná.

“O desempenho ainda foi impactado principalmente pelos resultados negativos da indústria e do comércio, fruto de um efeito em cadeia da crise. Com o aumento do desemprego, o consumo cai e as vendas no comércio têm retração”, diz a economista Suelen Rodrigues dos Santos, do Observatório do Trabalho da Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos.

Segundo a economista, houve setores que registraram resultados positivos, porém, eles não conseguiram compensar as quedas na Indústria. “O setor da Agropecuária e o setor de Serviços se destacaram, registrando saldo positivo no período. Mas, infelizmente, por conta do desemprego na Indústria e no Comércio, por causa da crise nacional, o saldo final do estado continua negativo”, lamenta.

O setor de serviços foi o campeão de saldo de vagas com carteira assinada no Paraná no primeiro semestre de 2016, com uma diferença positiva entre admitidos e demitidos de 1.831 empregos. A agropecuária ficou em segundo lugar, com saldo positivo de 1.471 vagas, e a administração pública, com 441 vagas.

Junho

Dos 7.130 empregos perdidos em junho no Paraná, 3.303 foram na Região Metropolitana de Curitiba. No mesmo período de 2015, o saldo estadual negativo era de 8.833 empregos. De acordo com a economista, Suelen Rodrigues, é possível perceber uma diminuição no número de vagas perdidas.

“Já pode-se perceber uma desaceleração da retração. Já há uma melhora nos resultados no mês de junho, comparado com o resultado do ano passado. A melhora foi por conta, principalmente, do setor da Agropecuária. Agora, é época de colheita da laranja e o Paraná é um estado forte na agricultura, no agronegócio”, explica.

Já para o economista da FIEP, Roberto Zurcher, no setor da indústria, não há ainda boas perspectivas. “Neste momento, a indústria ainda não tem uma perspectiva clara, definida, que permita indicadores mais positivos. Embora já tenha melhorado bastante nos últimos doze meses, pela própria situação econômica, que ainda não tem uma medida clara, a indústria não tem perspectivas”, afirma, lembrando que este cenário já se mantém há dois anos.

Em todo o Brasil, as demissões superaram as contratações em mais 530 mil vagas formais nos primeiros seis meses do ano. Apenas no último mês, aproximadamente 91 mil profissionais foram desligados e não conseguiram uma recolocação no mercado de trabalho.

(Com informações da BandNews)

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Repórter no Paraná Portal
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