Defesa de Lula desqualifica denúncia e volta a negar propriedade do tríplex

Fernando Garcel


Após a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-primeira dama Marisa Letícia, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o casal, acusa os promotores de “eleger Lula o maestro de uma organização criminosa”, mas não apresentar provas.

De acordo com a defesa, os promotores não apresentaram provas ou atos que ligassem Lula ao triplex do edifício Solaris. “Foi necessário apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal”, afirma Martins. “O grosso discurso de Dellagnol não tratou do objeto real da denúncia protocolada nesta data, focada fundamentalmente na suposta propriedade do imóvel 164A do edifício Solaris, no Guarujá”, comenta.

“Lula e Marisa não são proprietários do imóvel, que pertence à OAS. Se não são proprietários, não são beneficiários de reforma”, afirmou, em referência ao triplex em Guarujá. “Querem impor a qualquer custo condenação indevida a Lula e dona Marisa”, acrescentou.

O advogado disse considerar que “há flagrante falta de justa causa para a denúncia ser recebida pelo Judiciário”. “No entanto, temos histórico de prejulgamento. Diante desse histórico, ainda tenho expectativa de haja prevalência da razão e do direito.” Ele citou motivações políticas por trás da denúncia. “Há real intenção de tirar o presidente Lula do cenário político eleitoral de 2018.”

Sobre um possível pedido de prisão contra o ex-presidente, Martins disse que isso “seria mais um absurdo”. “Não tem nenhuma base jurídica para ser feito pedido cautelar nesse caso.”

Cristiano Zanin Martins disse que o MPF “elegeu Lula como ‘maestro de uma organização criminosa’, mas ‘esqueceu’ do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados”; “Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime”, acrescentou o defensor de Lula; para Martins, a “conduta política” de Dallagnol “é incompatível com o cargo de procurador da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses”.

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