Justiça manda soltar policiais acusados de chacina em Londrina

Mariana Ohde


A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça concedeu habeas corpus a quatro policiais suspeitos de participar da série de homicídios que aconteceu em Londrina em janeiro de 2016. Entre os dias 29 e 30 daquele mês, doze pessoas foram assassinadas em diferentes regiões da cidade e mais de dez foram feridas com armas de fogo. A série de mortes teria começado após a morte de um policial militar, na noite do dia 29.

A Justiça entendeu que não há fundamentos suficientes para manter a prisão dos policiais. Segundo o advogado de defesa, Claudio Dalledone Júnior, a decisão foi técnica e sensível ao fato de que os motivos que ensejaram a prisão não têm relação com as mortes. “Esses policiais foram vítimas de uma ação midiática que tenta relaciona-los às mortes ocorridas no início do ano. Os fatos que geraram a prisão desses policiais ocorreram durante legítima ação da equipe. Marginais enfrentaram a equipe de policiais que não teve outra alternativa senão revidar aos disparos recebidos. Continuamos confiando na justiça do nosso estado e na Polícia Militar que é quem sempre nos atende nos momentos que mais precisamos”, disse.

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Mortes em confrontos

No primeiro semestre deste ano, 156 pessoas morreram no Paraná em confrontos com policiais. No mesmo período, onze policiais militares foram mortos por civis. É o que aponta levantamento do Ministério Público do Paraná realizado com base em boletins de ocorrências encaminhados pelas polícias Militar, Civil e Rodoviária e pelas guardas municipais ao Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado (Gaeco).

O controle está sendo feito há um ano e meio com o objetivo de permitir o acompanhamento dos casos pelas Promotorias de Justiça e assegurar a apuração correta das mortes.

O total de óbitos no primeiro semestre deste ano (156) é 38% superior ao registrado no semestre anterior, entre junho e dezembro de 2015, quando ocorreram 113 mortes de civis em confrontos com policiais. Em relação ao mesmo período de 2015, de janeiro a junho, houve um aumento de 16,4% nas mortes de civis em confrontos com policiais em 2016.

A maioria dos óbitos registrados no estado ocorreu em confrontos com policiais militares – 131 no primeiro semestre de 2015; 109 no segundo semestre de 2015; e 149 nos primeiros seis meses deste ano.

No ano passado, do primeiro para o segundo semestre, houve uma redução de 15,7% no número de mortes registradas (de 134 para 113 casos).

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