Ocepar apresenta cenário econômico e financeiro das cooperativas do Paraná

Sindicato


Por Ocepar

O cenário econômico e financeiro do cooperativismo paranaense foi apresentado às instituições com as quais o setor mantém parceria durante o fórum promovido pelo Sistema Ocepar, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/PR), na sede da entidade, em Curitiba.

Participaram representantes da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itau, Santander, Alfa, Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), CCB (China Construction Bank), Banrisul, Pine Bank, Correparti, Integral Corporate, AON, Banco Industrial e, ainda, de diversas cooperativas do Paraná.

O evento foi aberto pelo diretor da Ocepar e presidente da cooperativa Bom Jesus, Luiz Roberto Baggio, e pelo superintendente do Sescoop/PR, Leonardo Boesche. Em seu pronunciamento, Boesche lembrou que o Fórum é realizado tradicionalmente com objetivo de estreitar o relacionamento e a parceria com os agentes financeiros, que contribuem para que as cooperativas possam manter os investimentos e atingir os melhores resultados.

“Em 2016, mais uma vez tivemos um ano muito bom, com crescimento superior a 15% em relação a 2015. As safras brasileira e paranaense foram as melhores da história e isso refletiu positivamente em nosso resultado. Mas, acima de tudo, o sistema cooperativista tem feito seu trabalho com profissionalismo”, disse.

“Evidentemente temos preocupações relacionadas ao cenário econômico e político nacional, como as reformas em debate no Congresso Nacional. A operação ‘Carne fraca’ também causou impacto no agronegócio. Isso tudo nos afeta. Porém, historicamente, o sistema cooperativista paranaense tem atuado com base no planejamento, considerada uma questão importante para dar direcionamento ao nosso trabalho”.

PRC 100 

“Atualmente, temos o PRC 100, plano estratégico lançado em 2014 com objetivo de dobrar nosso faturamento, na época de R$ 50 bilhões. Ou seja, queremos chegar aos R$ 100 bilhões nos próximos anos. Mas o número 100 é apenas um referencial, que o cooperativismo deverá alcançar naturalmente”, disse Boesche.

“A nossa preocupação é estruturar nosso sistema para que ele alcance essa meta de forma sustentável pois crescer é fácil, mas manter esse crescimento é mais difícil. E o trabalho que está sendo feito por meio do PRC100 é esse, analisar os nossos processos, as nossas necessidades, para que possamos garantir um crescimento sustentável e de forma estruturada ”.

Competitividade 

Para o diretor da Ocepar, Luiz Roberto Baggio, o levantamento apresentado pelo Fundo Monetário Nacional (FMI) em relatório divulgado recentemente comprova a competitividade nacional. “Estamos muito aquém do que esperávamos. O Brasil está perdendo para o Paraguai em termos de competitividade e há questões trabalhistas e tributárias, entre tantas outras, que levam tempo para serem acertadas”, disse.

“Nesse contexto, o cooperativismo tem um modelo de negócio que está se mostrando eficiente, possui ainda uma conotação social importante, de agregação de pessoas, de equilíbrio de renda dos seus associados, e que vem também com desafio crescente de governança, que o sistema tem conseguido resolver”, disse.

Ainda de acordo com ele, a governança e a transparência estão no DNA das cooperativas. “Mas como nós avançamos com nosso modelo de governança? Cuidando dessa parte social, que não é brincadeira. Também, sendo eficiente no mercado, mantendo esse modelo e, cada vez mais, nos mantendo competitivos com o nível de eficiência que precisamos”.

Baggio também comentou o PRC 100. “Por isso temos o PRC 100. Porque precisamos continuar sobrevivendo, não importa o valor do faturamento. O que é importante é manter a eficiência, o que reporta muita responsabilidade para nós, cooperativas. Acho que tempos difíceis em termos de competitividade ainda estão por vir. Serão mais um, dois ou três anos nesta situação. E, se olharmos pela fotografia do FMI, fica ainda mais difícil navegarmos por essas águas. Um exemplo são as decisões que estão sendo tomadas, em diferentes âmbitos, que impactam em nossas atividades, como a do Supremo Tribunal Federal sobre o Funrural. Então, nesse momento, queremos estar concentrados e tirar o máximo da nossa eficiência, para rompermos com os obstáculos e continuarmos competitivos. Este fórum servirá para nós darmos uma nivelada sobre as questões financeiras, para que possamos enfrentar outros desafios daqui para frente”.

Em números

No Fórum Financeiro, os números do cooperativismo do Paraná foram apresentados pelo coordenador de Desempenho do Sescoop/PR, João Gogola Neto. Ele iniciou lembrando que, no ano passado, o setor registrou avanços, apesar do período de recessão vivenciado no país e no Estado. Entre 2015 e 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou queda de 3,6% e o paranaense ficou em -2,4%.

Já o câmbio valia R$ 3,887 em dezembro de 2015 e passou para R$ 3,25 em dezembro de 2016, uma variação de 16%. No ano passado, a inflação acumulada fechou em 6,28%, chegando a atingir de aumento 41,64% no acumulado dos últimos cinco anos.

Nesse mesmo período, o crescimento real do país ficou entre 3% e 2% e o do Paraná em 9%. Já o cooperativismo do Paraná cresceu 116,1% nos últimos cinco anos, com o faturamento passando de R$ 32 bilhões, em 2011, para os R$ 69,30 bilhões, em 2016. O ramo agropecuário respondeu por 82% do faturamento total do setor, com R$ 56,9 bilhões contabilizados no ano passado.

Segundo Gogola, a respeito do RRC 100, o objetivo de alcançar os R$ 100 bilhões de faturamento do setor nos próximos anos, de forma estruturada e com saúde financeira. “Como disse nosso superintendente, estamos buscando formas de chegar lá de forma sustentável, trazendo resultado para o cooperado”.

De acordo com ele, em 2016, o sistema encerrou o ano com 221 cooperativas registradas no Sistema Ocepar, com 1,4 milhão de cooperados e sobras de R$ 2,8 bilhões. As cooperativas também empregam diretamente 87.193 pessoas. “Elas continuaram contratando, suportadas pelos investimentos no ativo imobilizado, o que contempla agroindústrias e armazenagem, por exemplo, o que acabou gerando essa força de trabalho”, afirmou.

Ele destacou, ainda, que a população atual do Paraná soma 11,2 milhões de pessoas e a relação desta grandeza, frente ao total de cooperados, funcionários e familiares, atinge o percentual de 40%.

“Esses números mostram que, mesmo num momento de crise, o sistema cooperativista não deixa de promover o desenvolvimento de seu quadro social. E, para mantermos esse crescimento, precisamos do apoio das instituições financeiras, principalmente nas operações de longo prazo. Em pelo menos 100 municípios paranaenses as cooperativas são as maiores empresas. O sistema cooperativista é um gerador de emprego e renda”, salientou.

Após a apresentação dos resultados do cooperativismo paranaense, o Fórum Financeiro prosseguiu com as palestras ministradas pela professora Virene Roxo Matesco, da FGV, que tratou sobre o cenário econômico nacional e internacional, e pelo consultor Paulo Roberto Molinari, da Safras&Mercados, que falou a respeito das tendências para o mercado de milho e soja.

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