Olimpíada acaba e quase dois mil são demitidos pela Rio-2016

Redação


Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

Por falta de dinheiro, o Comitê Organizador da Rio-2016 mudou seu planejamento para a realização da Paraolimpíada, que começa no próximo dia 7. O órgão demitiu 1,9 mil funcionários temporários, cancelou festas que promoveria num dos centro de competição e alterou a programação esportiva do evento em busca de economia.

A Arena da Juventude, construída no Parque de Deodoro para os Jogos de 2016, não receberá mais para provas paraolímpicas. As disputas de esgrima de cadeira de rodas, programadas para o espaço, foram transferidas para a Arena Carioca 3, no Parque Olímpico, para a redução de custos.

Também em Deodoro, não acontecerá mais o chamado Live Site da Rio-2016. O lugar tinha telão e programação musical. Na Olimpíada, serviu para entreter espectadores que compraram ingressos para as competições no Parque de Deodoro. Na Paraolimpíada, entretanto, ele estará fechado. Só o Live Site do Parque Olímpico ainda será mantido pelo Comitê Organizador da Rio-2016.

O Comitê ainda dispensou com um mês de antecedência cerca de 1,9 mil trabalhadores temporários contratados para cumprir várias atividades durante os Jogos de 2016. Todos os demitidos trabalharam na Olimpíada. Seriam aproveitados na Paraolimpíada. Contudo, tiveram seu contratado encurtado.

De acordo com o próprio Comitê da Rio-2016, cerca de 5,5 mil trabalhadores temporários foram contratados diretamente pelo órgão nas vésperas dos Jogos Olímpicos. Para a Paraolimpíada, só 3,6 mil mantiveram seus empregos. Tudo isso fora os trabalhadores de empresas que prestaram serviços aos organizadores dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, mas que foram dispensadas ao fim da Olimpíada.

O Comitê Organizador informou que as mudanças no planejamento da Paraolimpíada não vão comprometer o evento. Segundo a entidade, elas foram realizadas já levando em conta a experiência adquirida com a Olimpíada, que terminou no dia 21 e foi considerada bem-sucedida.

Economia de R$ 5 milhões

O Comitê Organizador ainda estima que as medidas gerarão uma economia de até R$ 5 milhões ao órgão. O montante é pequeno comparado os R$ 7,4 bilhões que o órgão esperava levantar com venda de ingressos e patrocínios para realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

Acontece que o comitê não arrecadou o esperado, principalmente no que diz respeito à venda de ingressos da Paraolimpíada. Assim, além de cortar gastos, a entidade solicitou um aporte de até R$ 250 milhões à prefeitura do Rio e ao governo federal para que os Jogos Paraolímpicos não sejam prejudicados.

Governos prometeram ajudar. O governo federal deve viabilizar patrocínios de estatais à Paraolimpíada. Já a prefeitura deve fazer um convênio para repassar recursos ao Comitê Organizador. Nada disso, porém, foi oficializado até agora.

O Comitê Organizador da Rio-2016 havia prometido realizar os Jogos de 2016 sem o uso de recursos públicos. Essa promessa, porém, foi revista nos últimos dias da Olimpíada do Rio.

 

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