Operação mira integrantes do MST e vereador eleito no Paraná

Mariana Ohde


A Polícia Civil do Paraná deflagrou nesta sexta-feira (4) a Operação Castra, que tem como alvos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) suspeitos de participar de uma organização criminosa investigada por furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, entre outros crimes.

A ação acontece em Quedas do Iguaçu, Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul, no Paraná; e também em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. São 14 mandados de prisão, dez de busca e apreensão e dois de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento.

Entre os integrantes do MST alvos da operação está o vereador Claudelei Torrente de Lima (PT), eleito neste ano em Quedas do Iguaçu. Ele já está preso. Também há um dirigente nacional do MST entre os investigados.

A investigação que levou à ação desta sexta-feira começou em março, após uma invasão da Fazenda Dona Hilda, em Quedas do Iguaçu. Os investigados são suspeitos de manter os empregados da fazenda em cárcere privado sob a mira de armas de fogo por várias horas. O dono da fazenda também relatou o sumiço de 1,3 mil cabeças de gado e um prejuízo de R$ 5 milhões. Os bois eram transportados com documentação irregular e a investigação apontou que uma parte destes animais foi vendida pelos integrantes do MST, segundo a polícia.

O grupo ainda é investigado pela suspeita de cobrança de uma taxa – que podia chegar a R$ 35 mil ou ser cobrada em sacas de grão – para que os donos da fazenda fossem autorizados a fazer a colheita da própria plantação.

Cerca de 70 policiais civis participam da Operação Castra. Foram destacados policiais das delegacias de Cascavel, Francisco Beltrão e Laranjeiras, além de homens da Denarc de Cascavel, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), do Tático Integrado Grupos de Repressão Especial (Tigre) e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA).

“Perseguição de lideranças”

Em nota, o Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores do Paraná (PT-PR) pede que os fatos sejam esclarecidos. Leia a nota na íntegra:

“Causa-nos estranheza os fatos e as informações inicialmente apresentados. É preciso que os motivos dessas ações sejam muito bem esclarecidos, a fim de evitar a perseguição de lideranças populares que lutam pelos interesses da comunidade.

O PT-PR apoia a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por reforma agrária e por um País mais justo e solidário. Também repudia toda e qualquer tentativa de criminalização dos movimentos sociais.

Por isso, exige das autoridades competentes um sério e criterioso esclarecimento a respeito dessas operações”.

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Repórter no Paraná Portal
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