Projeto prepara migrantes para o mercado de trabalho em Curitiba

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Em um cenário de crise econômica, encontrar uma posição no mercado de trabalho ou uma atividade que gere renda não é das mais fáceis. Para quem não tem fluência no português e encara outras barreiras a tarefa é ainda mais complicada.

Há um ano e três meses, o projeto Linyon foi criado em Curitiba para reverter isto, facilitando o acesso de estrangeiros, sejam eles migrantes ou refugiados, ao mercado de trabalho.

“Nosso foco é capacitá-los, ajudar na formulação de um currículo, de como se portar numa entrevista e também a encontrar possibilidades neste ambiente de desemprego”, explica uma das fundadores do projeto, Marcela Milano.

Em parceria com o Instituto Superior de Administração e Economia – ISAE/ FGV – o Linyon formou no mês passado a primeira turma da Escola da Integração com 17 estrangeiros, a maioria de refugiados sírios e haitianos. Também se formaram pessoas de Angola, Guiné-Bissau e até da Argentina.

O curso, dividido em cinco módulos, durou dois meses e abordou o desenvolvimento pessoal e profissional, o empreendedorismo, a liderança e o próprio mercado de trabalho – direitos e deveres trabalhistas.

O projeto rendeu até o reconhecimento da ONU (Organização Nações Unidas). Em uma carta assinada por Kyung-wha Kang, chefe da equipe de transição do novo secretário-geral designado das Nações Unidas, Antônio Guterres, a ONU afirmou que o projeto é um importante passo para a execução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável do Pacto Global. O português Guterres, inclusive, foi por anos presidente da Agência da ONU para Refugiados.

“A ideia inicial é que eles trabalhem nas áreas de formação. É um desperdício de potencial que médicos, advogados, jornalistas atuem em outras profissões aqui pelo desconhecimento ou por puro preconceito mesmo”, diz Milano sobre is migrantes capacitados não aproveitados pelo mercado. “A validação do diploma ainda é um processo super lento, burocrático e caro para eles”, acrescenta.

Além da Escola de Integração, o Linyon faz cursos próprios e tem parcerias com o Bagozzi e a prefeitura de Pinhais, na RMC, que também desenvolvem trabalhos com migrantes, como aulas de português.

Plano de comunicação

Atraídas pela ideia, seis alunas do 2º ano de Comunicação Organizacional da UTFPR elaboraram um planejamento de comunicação para dar mais força ao Linyon.

“Fizemos uma diagnóstico e vimos que ainda existem muitas barreiras. Então fizemos um plano pensando tanto nas empresas quantos nos refugiados, na comunicação interna entre eles e campanhas para novas parcerias, além de melhorar a assessoria de imprensa e mídias sociais”, explicou a estudante Emanoelle Santos.

Para Milano, a maior dificuldade ainda está nas empresas. “O mercado está se mostrando muito fechado, até pelo desconhecimento. Está dando certo com as mais receptivas, que estão vindo nos procurar e já temos contratações muito bem sucedidas”, finalizou.

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