Yared envia carta resposta a Eduardo Cunha

Narley Resende


Em carta enviada nesta quarta-feira (31) a deputados, o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pede que não seja julgado pelos crimes apontados em processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Afastado do mandato pelo STF, Cunha expõe na carta a estratégia para tentar evitar a sua cassação no próximo dia 12 de setembro, quando o plenário da Câmara irá analisar se ele quebrou o decoro parlamentar.

Entre parlamentares que receberam a carta, mas que questionaram a postura de Cunha, está a deputada paranaense Christiane Yared (PMN). Ela escreveu uma carta resposta a Cunha. “Afirmar que é alvo de perseguição política e da mídia não convence. É o mesmo discurso dirigido a tantos outros que foram seus opositores”, criticou. “Ah, da próxima vez assina a carta! Se ela não fosse entregue por seus assessores poderíamos pensar que era uma brincadeira”, ironizou a paranaense. Yared votou a favor do impeachment de Dilma, mas deve “mudar de lado” e votar agora contra Cunha.

Veja a carta de Yared:

“Eduardo Cunha , o senhor mesmo afastado, nunca deixou de ser um ótimo articulador. Esta semana, eu recebi sua carta com o pedido de reconsideração e em favor de sua defesa. Assim como o senhor foi honesto ao pedir misericórdia a todo os deputados federais e a todo o país em rede nacional no dia da votação pelo processo de impeachment da presidente da República, o senhor começou a carta dirigida a mim de forma correta”.

‘Prezada Christiane, sei da sua posição crítica mas gostaria que antes de me julgar conhecesse meus argumentos’.

Tenho sim uma opinião crítica a seu respeito e irei manter minha posição já proferida anteriormente em plenário. Sou favorável sim a qualquer processo de investigação por falta de decoro parlamentar.

Dizer que não estava sob juramento ao afirmar desconhecimento de contas no exterior pode não ter feito jurídico, como o senhor insinua, mas a palavra não vale? Ou perante a Justiça, atos e palavras são diferentes da prática do dia a dia?

É incabível alguém que defenda os interesses de uma Nação, agir de forma correta só sob juramento. Mesmo porque, todos nós, parlamentares ou não, devemos exercer a ética e o decoro.

Todos, estamos debaixo da mesma Constituição e da mesma Nação. E é com esta visão que pretendo exercer meu mandato. A quem estamos servindo senão ao povo brasileiro? A quem devemos prestar contas senão ao povo brasileiro?

Não há interesse pessoal ou projeto de poder acima das leis. Afirmar que é alvo de perseguição política e da mídia não convence. É o mesmo discurso dirigido a tantos outros que foram seus opositores. E o mesmo discurso de opositores ao atual governo.

Se não é justo, como o senhor afirma na carta, cassar seu mandato e se outros casos semelhantes foram absolvidos pelo STF, não cabe a mim a decisão . Cabe a mim, neste momento, manter a decisão que o processo siga adiante para que a justiça seja feita.

O seu pedido de concluir o mandato já que seus eleitores do Rio de Janeiro lhe delegaram este poder não me parece ser justo já que os mais de 54 milhões de votos para a presidente não o impediram de articular o processo de impeachment. Portanto, minha opinião não mudou! Ah, da próxima vez assina a carta! Se ela não fosse entregue por seus assessores poderíamos pensar que era uma brincadeira”.

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