Curitiba investe em inovação para manter liderança entre cidades inteligentes

Redação


Curitiba é a cidade mais inteligente do Brasil. Em setembro deste ano, a capital ultrapassou São Paulo no levantamento realizado pela Connected Smart Cities, que avalia o desempenho de mais de 700 municípios do país.

No ranking de Smart Cities são considerados fatores como melhorias em inovação, sustentabilidade e qualidade nos serviços oferecidos para a população. A boa avaliação, no caso de Curitiba, se deve, principalmente, aos investimentos em transparência e tecnologia.

A capital tem nota 10 na Escala Brasil Transparente, nota 0,8514 no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e despesa realizada com urbanismo de R$ 548 por habitante.

Para manter a posição de destaque, poder público, startups, universidades, entidades de fomento à inovação e empreendedores estão sendo incentivados a trabalhar juntos e investir em soluções inovadoras em áreas como mobilidade urbana, saúde, educação, meio ambiente e até segurança alimentar. É o movimento Vale do Pinhão.

“Curitiba se destaca por possuir quatro Parques Tecnológicos (Polos), sete incubadoras de empresa, um ecossistema de inovação (Vale do Pinhão) e por apresentar crescimento de 20% das microempresas individuais”, explica Laila Del Bem Seleme Wildauer, pesquisadora do Observatório Sistema Fiep, Líder do Projeto Curitiba 2035.

No processo de construção coletiva do Curitiba 2035, segundo a pesquisadora, atores estratégicos da cidade priorizaram nove grandes áreas: Cidade da Educação e do Conhecimento; Coexistência em uma Cidade Global; Desenvolvimento Socioeconômico; Governança; Meio Ambiente e Biodiversidade; Mobilidade e Transporte; Planejamento e Gestão Urbana; Saúde e Qualidade de Vida; Segurança.

Para cada área, foi construída uma visão de futuro, definidos seus respectivos fatores críticos de sucesso e correspondentes ações de curto, médio e longo prazos, necessárias à concretização das visões temáticas.

“O planejamento encontra-se em uma fase de implementação da governança, que tem por objetivo orientar a execução das ações propostas, bem como aproximar e integrar os atores envolvidos na concretização do projeto de futuro do município, objetivando atingir as visões estabelecidas”, explica.

Vale do Pinhão

O Vale do Pinhão nasceu com o objetivo de incentivar a inovação na capital. Um dos braços desse movimento é a Agência Curitiba, que tem um papel de governança e coordena as ações em todas as áreas da administração pública.

Segundo a presidente do órgão ligado à Prefeitura, Cris Alessi, o trabalho, nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Rafael Greca, foi fundamental para estruturar os projetos e criar arcabouços legais para trazer segurança jurídica e fomentar as iniciativas públicas e privadas voltadas à inovação.

Nos próximos dois anos, as ações estarão concentradas em questões urbanas; incentivo ao uso dos espaços públicos, novos modais de transporte e abertura de espeço para atrair novas empresas. “Até o final da gestão, queremos que a cidade esteja estruturada para crescer como uma cidade inteligente e com o cidadão no centro das ações. Queremos as pessoas nas ruas e o nosso sonho, até o final da gestão, é consolidar a estratégia de cidade inteligente”, diz Cris.

Lei de Inovação

O Vale do Pinhão trabalha com cinco pilares. Cada um deles agrega todas as áreas da prefeitura com foco no desenvolvimento de projetos. As ações são organizadas pela Agência Curitiba, para proporcionar uma governança única.

Este ano, o município viabilizou também o marco legal para a área, com a aprovação, pelos vereadores, da Lei da Inovação. Com isso, a cidade passou a contar com um balizador para que a inovação se desenvolva de forma integrada, sistêmica e sustentável, com parâmetros que trazem segurança jurídica aos empreendedores e fomentam o desenvolvimento do setor.

De acordo com Laila, o papel do poder público na construção de cidades inteligentes é promover a articulação dos atores dos diversos segmentos da sociedade, com o objetivo de planejar a longo prazo. “Além disso, estabelecer parcerias estratégicas, confiáveis e que tenham grande expertise, torna-se essencial na implementação de tecnologias adequadas às necessidades atuais da localidade e com desdobramentos que possam suprir demandas futuras”, explica.

“Outro aspecto importante é a regulamentação das novas soluções, pois agilizam a aplicação em escala, gerando benefícios sociais e econômicos”, avalia Laila.

  • EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

A educação é parte fundamental na criação de uma cultura inovadora. O município investiu no incremento de um marco nesta área, com a transformação dos Faróis do Saber em Faróis do Saber e da Inovação. “Estamos investindo na cultura maker, de aprender fazendo, de ter acesso à tecnologia de uma impressora 3D”, diz Cris Alessi. “Tudo para que elas aprendam a solucionar problemas nessa cultura ‘mão na massa”.

Também acontecem ações em outros níveis, como o programa ‘Bom Negócio’, que é voltado para pequenos empreendedores. “[O Bom Negócio] organiza esses empreendedores em uma rota de conhecimento que passa por EAD, presencial e semipresencial. Ele é fomentado por mais de 20 instituições de ensino que gerem esse projeto junto à prefeitura”, afirma Cris Alessi, que é também responsável pelo programa.

Há, ainda, um projeto com foco nas mulheres. Segundo Cris, mais de mil mulheres participaram das palestras ministradas pela prefeitura neste ano.

  • REURBANIZAÇÃO

A inovação não inclui – como muita gente pode pensar – apenas questões ligadas à tecnologia. Um dos melhores exemplos de como Curitiba vem se desenvolvendo nesta área são as hortas comunitárias. O projeto Horta do Chef colocou a capital paranaense entre as seis mais inteligentes do mundo na categoria “ambiente urbano” do World Smart City Awards, realizado em Barcelona em novembro.

“Essas hortas acabam trazendo não só melhor qualidade alimentar para as famílias, mas desenvolvem todo o ciclo econômico de famílias de baixa renda, que podem vender o que elas plantam para restaurantes renomados da cidades e armazéns da família”, explica Alessi.

Outro projeto de recuperação de áreas urbanas foi implantado no bairro Rebouças, onde está a Agência Curitiba. “Temos o projeto de ocupação de espaços daquela região, que foi o primeiro distrito industrial da cidade, para atrair empresas com olhar de economia criativa”.

  • FOMENTO

Neste ano foi reaberto o Tecnoparque, programa de atração de empresas de base tecnológica para a capital. Suspenso para novas adesões desde 2013, o programa voltou a oferecer desconto no Imposto Sobre Serviços (ISS) às empresas que investem em tecnologia e inovação.

  • ARTICULAÇÃO DO ECOSSISTEMA

Nessa área, são realizados eventos de integração e acesso. “Unimos empresas, startups e pessoas que querem conhecer mais esse mundo, além de dar visibilidade às tantas ações legais que Curitiba está fazendo”, afirmou Cris.

São realizadas reuniões temáticas sobre mobilidade, saúde, novas energias 4.0, para buscar soluções reais e transformar a cidade em um laboratório urbano. “Também apoiamos todos os eventos que venham e possam disponibilizar para a população oportunidades para desenvolvimento nesse sentido”, disse.

Curitiba também ganhou o Worktiba Barigui, o primeiro coworking público municipal do Brasil, aberto em março de 2017.

  • TECNOLOGIA / INTERNET DAS COISAS

Esse pilar trata da desburocratização dos processos e digitalização – como, por exemplo, o aplicativo Saúde Já, que reduziu as filas para o pré-atendimento médico nas unidades de saúde. “É um exemplo de como a tecnologia pode ajudar. A área também envolve a internet das coisas, traz mais conectividade nas cidades, sustentabilidade e novas energias”, finaliza Cris.

Aplicativo Saúde Já ajudou a reduzir as filas no SUS. Foto Luiz Costa / SMCS

Busca pela inovação

Na busca pelos preceitos que tornam a capital uma cidade inteligente, alguns setores desempenham um papel fundamental. É o caso da indústria, um dos carros-chefe da inovação no estado, das grandes plantas às startups.

A startup paranaense eiON, desenvolvedora do Buggy Power, um veículo 100% elétrico, é um dos cases de sucesso. A empresa, inclusive, já apresentou o seu carro ecológico em uma palestra no Worktiba Barigui.

Milton dos Santos Jr. e a equipe da Eion. Foto: Luiz Costa / SMCS

A startup também se inscreveu no edital de encubação para o Centro de Tecnologia de Veículos Híbridos e Elétricos do Sistema Fiep. “A tecnologia pode ser uma grande aliada na melhoria da infraestrutura, na transformação de centros urbanos em espaços mais eficientes e consequentemente na melhoria da qualidade de vida da população”, explica Laila.

Entre os exemplos, a pesquisadora cita semáforos inteligentes, aplicativos diversos que contribuem para a mobilidade e compartilhamento de carros. “São ferramentas que tornam os serviços urbanos mais eficientes e com menor custo, permitem que a cidade se reinvente a todo momento e alavancam a qualidade de vida e a prosperidade econômica local”, afirma.

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