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Criminosos tinham ponto de observação em matagal ao lado da penitenciária de Piraquara

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, não descarta relação entre a fuga de 26 presos do Complexo..

Mariana Ohde - 16 de janeiro de 2017, 08:07

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, não descarta relação entre a fuga de 26 presos do Complexo Penitenciário de Piraquara com as rebeliões e assassinatos de presos em outros presídios do país, como ocorridos no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. A ação, segundo as autoridades, teve alto grau de planejamento, inclusive com um ponto de observação montado no exterior da penitenciária, o que torna "óbvia" a participação do crime organizado.

Segundo o secretário, o perfil dos presos da unidade de segurança máxima de Piraquara indica a possível relação. A quinta galeria B, de onde fugiram os presos, neste domingo (15), no início da manhã, concentra os presos do Primeiro Comando da Capital, facção que predomina no Paraná. Um dos presos que não conseguiu fugir participou da rebelião mais recente do presídio de Roraima. Ele quebrou o pé ao pular da galeria e voltou para dentro da penitenciária, conforme mostram imagens de câmeras de monitoramento.

Para combater novas ações com essa, Wagner Mesquita anunciou o início da segunda fase da Operação Alexandria. "Nós vamos apresentar uma lista de presos faccionados, que foram alvo da Operação Alexandria. Essa lista está há um ano sendo avaliada pelo poder Judiciário, solicitando a transferência deles para presídio federal. Vamos reapresentar essa lista e solicitar a remoção dos alvos prioritários que compõem o crime organizado no Paraná para presídios federais", explica.

De acordo com Departamento Penitenciário do Paraná, a ação que resultou na fuga começou por volta das 3h, quando presos da Casa de Custódia de Piraquara iniciaram um tumulto para chamar a atenção dos agentes penitenciários. A Polícia Militar e o Setor de Operações Especiais foram acionados para atender a ocorrência. Perto das 5h30, foram ouvidas duas explosões na Penitenciária Estadual de Piraquara 1 (PEP1) e foram encontrados, mais tarde, um buraco na muralha, por onde os presos tentavam fugir.

Do lado externo da penitenciária, um grupo de aproximadamente 15 homens fortemente armados dava cobertura à fuga. Eles entraram em confronto com os policiais que estavam nas guaritas e com as equipes que se deslocavam para prestar apoio. A fuga de mais presos foi evitada após as forças de segurança conseguirem acessar o perímetro interno da PEP1.

Após a fuga, durante a varredura, foram encontrados dois mortos na área externa do presídio. Com eles, havia uma metralhadora Uzi 9 milímetros, além de uma bolsa com aproximadamente 300 cartuchos de munição e um colete balístico. Os policiais encontraram ainda uma barraca, com alimentos e bebidas, que teria sido usada pelo grupo que deu cobertura para a fuga.

O tenente-coronel Maurício Iunes, da Polícia Militar, afirmou que a troca de tiros com os fugitivos durou cerca de 20 minutos. "Nossa tropa que usar a luz das viaturas para que não houvesse fogo cruzado, inclusive com a possibilidade de um policial militar acabar sendo alvejado. A troca de tiros durou de 15 a 20 minutos. Em seguida, foi constatado que dois detentos foram baleados e já se encontravam em óbito", conta.

Durante a fuga, quatro homens suspeitos de dar cobertura para a fuga de presos fizeram uma família refém em um haras, em Piraquara. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), unidade de elite da PM do Paraná, foram ao local e os quatro homens acabaram se rendendo, após quase cinco horas de negociações. Com eles, foram apreendidos três fuzis 762 e duas pistolas.

As armas apreendidas e os quatro presos foram encaminhados para o Cope. De acordo com o secretário de Segurança, o grupo externo que participou da cobertura da fuga pode ter sido contratado. "Agora a investigação procede para este lado, para esclarecer a circunstância do planejamento dessa ação, uma ação que obviamente foi orquestrada pelo crime organizado, pelo grau de equipamentos, planejamento, Dentro da mata ciliar, foi encontrado um local de observação, com alimentos, colete balístico, arrmamento. Enfim, estavam fazendo uma campanha dos policiais e do muro há algum tempo. Houve um planejamento muito grande dessa ação", afirma.

Durante a varredura dentro do presídio, foram encontrados 30 celulares. O diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo Moura afirmou que solicitou o reforço da segurança externa em todas as unidades prisionais do estado. Ele determinou a suspensão de todas as atividades não essenciais, como visitas, saídas para estudo e trabalho, por exemplo. Só estão mantidas as atividades de alimentação, atendimento médico e atendimento jurídico, por tempo indeterminado, até que seja feita uma varredura completa em todas as unidades do estado para a busca de materiais como celulares e objetos que possam servir como armas.

Pelo menos uma centena de familiares dos detentos, na maioria mulheres, passou toda a tarde em frente à penitenciária à espera de informações. Por volta das 17h30, um representante do Depen saiu e entregou uma lista com os nomes dos presos fugitivos e dos dois mortos. Houve momentos de protestos dos familiares que reclamavam da falta de informações. Apesar disso, não houve tumulto.