Guarda persegue duas ex-companheiras, mata duas pessoas e fere três

Narley Resende


Em perseguição a duas ex-companheiras, um guarda municipal, identificado como Ricardo Leandro Felippe, que já era processado por casos de violência doméstica, matou duas pessoas e feriu outras três entre o fim da tarde e a noite desta segunda-feira (3), em Londrina, Norte do Paraná.

Atualização: Guarda que matou duas pessoas ao perseguir ex-companheiras é preso em SP

De acordo com a Polícia Civil, o homem invadiu a empresa da primeira ex-mulher, no Parque Guanabara, e matou a sócia dela, Ana Regina do Nascimento Ferreira, de 34 anos.

Na sequência, ele roubou o carro de Ana Regina, um Ônix de cor branca, e foi até a casa de uma outra ex-companheira, Rachel Espinosa, na zona oeste da cidade, e atirou em quatro pessoas – avô, pai, mãe e filho da mulher. O filho, Vitor, de 17 anos, morreu no local. O pai da mulher foi levado em estado gravíssimo ao hospital.

De acordo com boletim do Siate, Maura Espinosa Gouveia Siena, de 57 anos, foi socorrida com um tiro na região da coluna e encaminhada à Santa Casa de Londrina. Ela é a mãe da Rachel, ex-esposa do GM.

Valdeci Siena, de 80 anos, levou um tiro de raspão na cabeça. Ele foi levado até a UPA do Jardim do Sol e é avô de Rachel.

Valdir Siena, de 58 anos, pai de Rachel, levou um tiro no tórax e outro no braço e foi encaminhado em estado grave ao Hospital Evangélico.

O quarto baleado, Vitor Espinosa Gouveia Siena dos Reis, filho de Rachel, morreu no quarto, ao lado da cama, com vários tiros no peito.

Para fugir, o guarda roubou um segundo veículo, um Honda Fit. Até a manhã desta terça-feira (4) o guarda não havia sido encontrado. As duas ex-mulheres estão recebendo proteção da Polícia Civil até que ele seja localizado.

O delegado Osmir Ferreira Neves é o responsável pelo caso. Ele convocou uma entrevista coletiva para esta terça-feira para falar sobre a investigação.

Tentativa de feminicídio

As duas mulheres já haviam denunciado o homem na Delegacia da Mulher por agressões e ameaças. Ele responde a processos por violência doméstica. De acordo com a polícia, há indícios de que o suspeito estaria com intenção de matar as ex-companheiras.

“Um caso muito emblemático do que é o ciclo de violência de violência. Ninguém fala em feminicídio. Ela tinha medida protetiva e esse caso é muito claro”, disse a promotora Mariana Bazzo, do Núcleo de Proteção da Igualdade de Gênero do Ministério Público do Paraná.

Rachel Espinosa, que teve toda a família baleada e o filho de 17 anos morto pelo ex-namorado, pede ajuda de toda a população para encontrar o criminoso.

“Esse o demônio Ricardo Leandro Felippe que entrou na minha casa ontem e atirou em toda a minha família, infelizmente meu filho Vitor não resistiu. Por favor encontrem ele. Por favor divulguem. O inferno te espera”, escreveu.

De acordo com a Lei 13.104/2015, que ficou conhecida como Lei do Feminicídio, o assassinato de mulheres é considerado crime hediondo, de extrema gravidade, e ocorre quando a morte se dá por razões relacionadas à questão de gênero e envolve violência doméstica, familiar e situações de menosprezo ou discriminação. A pena prevista para o agressor é de 12 a 30 anos de prisão e deve ser cumprida inicialmente em regime fechado.

 

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