Guarda que matou duas pessoas ao perseguir ex-companheiras é preso em SP

Narley Resende


O guarda municipal Ricardo Leandro Felippe foi preso na manhã desta terça-feira (4), um dia após ter atirado contra familiares de uma ex-companheira e uma amiga de outra, matando duas pessoas e ferindo outras três, em Londrina, Norte do Paraná.

Felippe foi preso na região de Maracaí (SP), a 120 quilômetros de Londrina. Policiais civis e militares de Palmital (SP) encontraram o suspeito em um hotel na rodovia Raposo Tavares. Ele estava armado com a pistola da Guarda Municipal de Londrina.

De acordo com a Polícia Civil, entre a tarde e noite dessa segunda-feira (3), em perseguição a duas ex-companheiras, o guarda, que já era processado por casos de violência doméstica, matou duas pessoas e feriu outras três.

Segundo o delegado Osmir Ferreira Neves, Ricardo Felippe premeditou o crime. “(A motivação) associada à vida afetiva dele, tanto em relação à atual convivente, quanto às ex-conviventes desse rapaz. Aparentemente, essa progressão criminosa foi premeditada na medida em que ele compareceu à Guarda Municipal no intuito de obter uma arma de fogo. E também, quando buscava a fuga dos locais em que consumou seus crimes, roubando vários veículos para dificultar a ação policial”, afirma.

Segundo a polícia, o homem invadiu a empresa da ex-mulher mais recente, Josiane Amorin, no Parque Guanabara, e matou a sócia dela, Ana Regina do Nascimento Ferreira, de 34 anos. Josiane estava escondida em um abrigo. O casal teria brigado no domingo.

Na sequência, ele roubou o carro de Ana Regina, um Ônix de cor branca, e foi até a casa de uma outra ex-companheira, Rachel Espinosa, na zona oeste da cidade, e atirou em quatro pessoas – avô, pai, mãe e filho da mulher. O filho, Vitor, de 17 anos, morreu no local. O pai da mulher foi levado em estado gravíssimo ao hospital.

De acordo com boletim do Siate, Maura Espinosa Gouveia Siena, de 57 anos, foi socorrida com um tiro na região da coluna e encaminhada à Santa Casa de Londrina. Ela é a mãe da Rachel, ex-esposa do GM. Valdeci Siena, de 80 anos, levou um tiro de raspão na cabeça. Ele foi levado até a UPA do Jardim do Sol e é avô de Rachel. Valdir Siena, de 58 anos, pai de Rachel, levou um tiro no tórax e outro no braço e foi encaminhado em estado grave ao Hospital Evangélico.

O quarto baleado, Vitor Espinosa Gouveia Siena dos Reis, filho de Rachel, morreu no quarto, ao lado da cama, com vários tiros no peito.

Para fugir, o guarda roubou um segundo veículo, um Honda Fit, encontrado pela polícia horas depois.

Parte da ação de Felippe foi flagrada por uma câmera de segurança. Veja:

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Feminicídio

As duas mulheres já haviam denunciado o homem na Delegacia da Mulher por agressões e ameaças. Ele responde a processos por violência doméstica. De acordo com a polícia, o suspeito estaria com intenção de matar as ex-companheiras.

“Um caso muito emblemático do que é o ciclo de violência de violência. Ninguém fala em feminicídio. Ela tinha medida protetiva e esse caso é muito claro”, disse a promotora Mariana Bazzo, do Núcleo de Proteção da Igualdade de Gênero do Ministério Público do Paraná.

O delegado Osmir Ferreira Neves afirma que todas as companheiras do guarda já haviam feito denúncias contra ele na Delegacia da Mulher. “Foram tomadas algumas medidas em relação a esse rapaz, tanto a atual convivente, quanto às ex-conviventes dele. Há notícia de que ele praticou ameaças e lesões corporais em relação a essas mulheres”.

captura-de-tela-2017-04-04-as-08-51-26De acordo com o delegado, após a justiça conceder medida protetiva às mulheres, a Polícia Civil já havia cumprido mandado de busca e apreensão para desarmar o suspeito.

“Foram determinadas medidas protetivas, inclusive do afastamento dele do contato em relação a essas mulheres. Nós cumprimos um mandado de busca há alguns dias em relação a uma residência dele justamente no intuito de apreender eventual arma de fogo irregular que estivesse na posse dele”, afirma.

Segunda a Guarda Municipal de Londrina, o servidor estava afastado das funções após uma das ex-companheiras fazer denuncia à Polícia Civil por violência contra a mulher. Apesar disso, ele foi reintegrado ao cargo na segunda-feira (3) e pegou uma arma para seguir a rotina. Foi quando ele resolveu perseguir as ex-companheiras.

Antes da prisão do guarda, na manhã desta terça, Rachel Espinosa, que teve toda a família baleada e o filho de 17 anos morto pelo ex-namorado, pediu ajuda no Facebook para que as pessoas ajudassem a encontrar o guarda. “Esse o demônio Ricardo Leandro Felippe que entrou na minha casa ontem e atirou em toda a minha família, infelizmente meu filho Vitor não resistiu. Por favor encontrem ele. Por favor divulguem. O inferno te espera”, escreveu.

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