Prisão de Eike já estava decretada há duas semanas

Roger Pereira


A decisão do juiz federal do Rio de Janeiro Marcelo Bretas, que determinou a prisão preventiva do empresário Eike Batista, foi assinada no dia 13 de janeiro. No entanto, a Polícia Federal só deflagrou a Operação Eficiência na última quinta-feira, dia 26. Dois dias antes, na terça-feira (24) Eike deixou o país, viajando para Nova York. A Polícia Federal, contudo descarta que a expedição do mandado de prisão tenha vazado e, por isso, motivado a viagem do empresário.

De acordo a Justiça Federal e a polícia, o tempo era o necessário para organizar a operação, que mobilizou cerca de 80 agentes. “Os investigados foram acompanhados. Não havia restrição no sistema para ele sair do país. Isso comprometeria totalmente a investigação”, afirmou, à Folha de S.Paulo, o delegado Tácio Muzzi, coordenador da Lava Jato da PF no Rio.

A Polícia Federal já acionou agentes lotados no Estados Unidos para tentar localizar o empresário, acusado de pagar e ajudar a ocultar propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB). Os mandados só foram incluídos no Banco Nacional de Mandados de Prisão na madrugada de quinta, quando Eike já havia desembarcado em Nova York. “Não havia prévio conhecimento [da viagem]. Estava-se acompanhando movimentação dos investigados. Na madrugada de hoje chegou a informação que poderia ter saído para fora do país”, disse Muzzi, alegando, ainda, que a inclusão no banco de dados pode alertar investigados sobre futuras operações e acelerar a ocultação de provas.

 

Eike já é considerado foragido pela PF e a Justiça Federal solicitou sua inclusão na difusão vermelha da Interpol.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal