Gestão Bolsonaro muda lei e assessores poderão impor sigilo a dados do governo

Talita Fernandes - Folhapress

Um decreto assinado pelo presidente interino, Hamilton Mourão (PRTB), altera regras de aplicação da LAI (Lei de Acesso à Informação) e permite que ocupantes de cargos comissionados possam classificar dados do governo como informações ultrassecretas, grau máximo de sigilo.

O texto da gestão de Jair Bolsonaro, publicado na edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (24), amplia o número de autoridades que podem tornar essas informações protegidas pelo período de até 25 anos.

Pelo texto anterior, essa classificação só poderia ser feita pelo presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas e chefes de missões diplomáticas ou consulares permanentes no exterior.

Já o decreto que entrou em vigor nesta quinta autoriza alguns comissionais e dirigentes máximos de autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista a também fazerem essa classificação.


O documento permite ainda que tais autoridades deleguem a competência para que comissionados façam a classificação de informações consideradas de grau secreto, cujo prazo de sigilo é de 15 anos.

Motivos para o sigilo

– Risco à vida, à segurança ou à saúde da população
– Risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico
– Risco à segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares

Exemplos ultrassecretos (governo federal)

– Relatórios das Forças Armadas
– Comunicados produzidos pelas embaixadas no exterior
– Análises do Itamaraty
– Dados sobre a comercialização de material bélico

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