Associação dos caminhoneiros confirma acordo e pede fim da greve

Mariana Ohde e BandNews FM Curitiba

O governo cedeu no preço do diesel e isenção do pedágio do eixo suspenso, entre outros pontos.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) confirmou nesta segunda-feira (28) a assinatura do acordo feito com o governo federal para encerrar a greve da categoria, que completou oito dias.

Ontem (27), em resposta às demandas dos trabalhadores, o presidente Michel Temer anunciou a redução do preço do diesel, por 60 dias, em R$ 0,46 por litro, valor referente ao que seria a retirada do PIS/Cofins e da Cide sobre esse combustível. Depois desse período, o preço do diesel será ajustado mensalmente. Além disso, a alíquota da Cide sobre o diesel deve ser zerada até o final do ano.

Também foram publicadas, nesta manhã, no Diário Oficial da União (DOU), três medidas provisórias que beneficiam o setor – entre elas, a isenção da cobrança do eixo suspenso nos pedágios de rodovias federais, estaduais e municipais.

Em nota, a Abcam afirma que “a categoria conseguiu ser atendida em diversas reivindicações”.

“Sendo assim, já que o objetivo foi alcançado, a Abcam pede a todos os caminhoneiros que voltem ao trabalho”.

No texto, o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, ressaltou os resultados do movimento. “Amigos caminhoneiros, voltem satisfeitos e orgulhosos para o trabalho. Conseguimos parar este país e sermos reconhecidos pela sociedade brasileira e pelo Governo deste país”.

Entidades esperam encerrar movimento

Com o acordo, entidades ligadas aos caminhoneiros esperam que os motoristas comecem a retomar as atividades ainda hoje.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar), Marcos Battistella, diz que assembleias devem ser feitas ainda pela manhã para dissipar o movimento. “A expectativa é que, a partir de hoje, comece a normalizar”, disse. “As principais [reivindicações] foram atendidas. O compromisso deles é que volte ao normal”.

O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná (Sindicam) afirma, em nota, que a decisão pelo fim da paralisação é exclusivamente dos caminhoneiros. O sindicato diz que vai levar as decisões do governo para os profissionais ao longo da manhã e somente após a análise deles é que uma decisão será, de fato, tomada. É esse também o posicionamento da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

Em entrevista coletiva na noite de ontem (27), o presidente da Confederação, Diumar Bueno, disse que não pode garantir o retorno dos profissionais ao trabalho, mas destacou que as principais reinvindicações da categoria foram atendidas. Segundo Diumar, no primeiro acordo proposto na reunião de quinta-feira (24), essas reivindicações não tinham sido contempladas. Por isso, a categoria manteve a mobilização.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sergio Malucelli, avalia o posicionamento do Governo de forma positiva também para as empresas. “Chega um momento em que tem que pensar na sociedade, momento em que tem que retomar a vida. Somos nós que geramos emprego e renda”, disse.

Leia a nota da Abcam na íntegra

Nota Oficial: Abcam assina acordo com Governo para pôr fim às manifestações

Brasília, 27 de maio de 2018

Após a reunião realizada hoje (27), na Casa Civil, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros decidiu assinar um acordo com o Governo para pôr fim às paralisações dos caminhoneiros autônomos.

A categoria conseguiu ser atendida em diversas reivindicações, dentre delas o subsídio, pelo Governo Federal, do valor referente ao que seria a retirada do PIS, Cofins e Cide sobre o óleo diesel. A medida permitirá a redução de R$0,46 no preço do diesel até o final do ano.

A Abcam considera o acordo assinado como uma vitória, já que o acordo anterior previa uma redução de apenas 10% por apenas 30 dias. Entretanto, a Associação acredita que até dezembro deste ano o Governo encontre soluções para que essa redução seja permanente.

Reivindicações atendidas

– Redução até 31/12/18 de R$0,46 no preço diesel,
– Congelamento dos preços do diesel por 60 dias,
– Após os 60 dias, os reajustes no valor aconteceram a cada 30 dias, o que permitirá certa previsibilidade do transportador para cobrança do valor do frete
– Extinção da cobrança de pedágio por eixo suspenso em rodovias federais, estaduais e municipais;
– Tabela mínima de frete
– Determinação para que 30% dos fretes da Conab sejam feitos por caminhoneiros autônomos

As Medidas Provisórias têm força de lei. Portanto, as três medidas começam a valer assim que o texto for publicado no “Diário Oficial da União”.
Importante ressaltar que as multas aplicadas durante as manifestações também foram canceladas tanto para os caminhoneiros como para às entidades

Fim das manifestações

Sendo assim, já que o objetivo foi alcançado, a Abcam pede a todos os caminhoneiros que voltem ao trabalho.

O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, também deixa a seguinte mensagem:

“Amigos caminhoneiros, voltem satisfeitos e orgulhosos para o trabalho. Conseguimos parar este país e sermos reconhecidos pela sociedade brasileira e pelo Governo deste país. Nossa manifestação foi única, como nunca ocorreu na história. Seremos lembrados como aqueles que não cederam diante das negativas do Governo e da pressão dos empresários do setor. Teremos o reconhecimento da nossa profissão, de que nosso trabalho é primordial para o desenvolvimento deste país. Voltem com a sensação de missão cumprida, mas lembrando que a luta não termina aqui.”

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