Osmar Dias propõe enxugamento do governo e recuperação da credibilidade

Metro Jornal Curitiba

Ex-senador se apresenta como alternativa para o momento de crise representativa.

Ex-senador, há oito anos fora da política, se apresenta como alternativa para o momento de crise representativa. Ao Metro Jornal, ele fala sobre planos para o Governo do Estado.

Engenheiro agrônomo pela Fundação Luiz Meneghel, em Bandeirantes, é também produtor rural. Em 1983, no governo José Richa, foi presidente da Companhia Agropecuária, e depois secretário da Agricultura de Alvaro Dias e Requião, de 1987 até 1994. Neste ano foi eleito senador pelo PP, mas logo entrou no PSDB, partido do qual foi expulso em 2001.

Em 2002 reelegeu-se pelo PDT. Derrotado nas eleições ao governo em 2006 e 2010, foi vice-presidente do Banco do Brasil por seis anos.

A sua candidatura ao ainda depende de decisões políticas? Quais partidos estão fechados?

Não depende da decisão de ninguém, é uma candidatura definitiva. A decisão foi tomada pelo meu partido com total apoio do diretório nacional, do diretório estadual. Os partidos que quiserem se somar a esse projeto terão que vir sabendo das nossa regras. Primeiro, a aliança em cima de um projeto de estado. Segundo, não há fundo partidário e nem eleitoral para atrair ninguém. Ao contrário, já avisamos que isso não existe e que nisso eu não faço negociação. O Solidariedade está fechado, estamos avançados na conversa com o PPL, estamos conversando com o PPS.

Eu não gosto muito de antecipar, falar de outros partidos, porque o outro partido pode dizer que não depois. Digo o seguinte: nós faremos uma aliança suficiente para apresentar o nosso projeto.

O senhor assumiu um cargo no Banco do Brasil no governo Dilma. Como avalia o governo federal nesse período?

Eu fui convidado para fazer aquilo que eu mais conheço, cuidar do agronegócio do Brasil. Fiz cinco planos safra que foram os maiores do país. Eu duvido que alguém possa pegar um plano safra e dizer que foi maior do que aqueles que o Osmar fez. Deixei como legado um programa de armazenagem que não existia: saímos de um déficit de 60 milhões de toneladas para 40.

Também deixei como legado a agricultura de baixo carbono: diga-se de passagem, o único setor que cumpre o tratado de Kyoto é o meio rural e muito em função desse programa que eu deixei. Ele faz a integração lavoura-pecuária-floresta que preserva o meio ambiente e aumenta produtividade. Tinha zero hectare quando eu entrei, deixei 10 milhões de hectares financiados.

Terceiro, deixei o Inovagro, que dá oportunidade de os produtores financiarem novas tecnologias, em suínos, aves, piscicultura, para modernizar as atividades.

Mas nada disso exclui os erros do governo, não?

Não, não exclui. Assim como a população, me decepcionei com o governo Dilma. Porque se nós tivemos conquistas sociais, elas se perderam no momento em que nós tivemos essa avalanche de corrupção, que não começou no governo do Lula e nem da Dilma. Já havia antes, tanto é que eu fui expulso do PSDB em 2001 por ter assinado a CPI da Petrobras, isso no governo FHC.

Ele pessoalmente me chamou e me pediu para retirar a assinatura da CPI, eu disse: “Não. No meu Estado as pessoas costumam cumprir a palavra, muito mais a assinatura, não retiro”. Fui expulso e assim eu ingressei no PDT, onde estou há 17 anos, por conta desse episódio.

Como o senhor vê esse momento de aversão aos políticos?

O maior desafio desse momento é recuperar, resgatar a credibilidade não só dos políticos, mas das instituições públicas. O que nós vemos hoje é coronel do exército, que não sei se é, mas tem a farda, gravando vídeo chamando o presidente de mentiroso e de outros nomes.

O que vemos é a intolerância total da população em relação à classe política. O meu papel nesse momento, eu me coloco nesse papel, é de dar a minha contribuição para reconstruir a autoridade e o respeito pelos agentes públicos. Se nós não fizermos isso, daí sim o país não tem jeito. Se nós continuarmos nesse caos onde ninguém tem comando sobre nada, é só ver a greve dos caminhoneiros.

Ela é o que? É a falência da autoridade pública no país. Esse é o grande desafio. Eu sou do tempo em que, quando chegava o governador na cidade, a cidade parava. Era respeitado. Hoje a cidade também para, mas vaiando e batendo panela. Se nós não reconstruirmos a autoridade do poder público e das pessoas que o ocupam, será muito difícil sair dessa crise política e econômica.

Qual a sua avaliação do atual governo?

Olha, eu não gosto de falar de pessoas e nem de adversários, mas as vezes é inevitável que se fale o nome. Gostaria de citar o que eu vi de fora (do governo) e o que os outros dois (Cida Borghetti e Ratinho Junior) que estão dentro, talvez não tenham visto. Nós temos um processo de desarranjo das finanças públicas e do processo de gestão do estado. Posso citar como exemplo antecipação de receitas de R$ 1,720 bi com deságio de 50% que representam R$ 3,4 bilhões para 2019 e 2020. Ou seja, deixaremos de arrecadar 3,4 bilhões porque eles já foram arrecadados.

Outra questão para o próximo governador resolver é o Paranáprevidência, que tem um fundo de R$ 6,6 bilhões e era para ter R$12,5 bilhões. Fora isso o fato de que vamos ter, nos próximos cinco anos, cerca de 30 mil servidores se aposentando, indo para o campo dos inativos.

São problema que têm que ser resolvidos junto com outro que eu considero graves como o caso das estatais. Vamos fortalecer as estatais.

Já definiu prioridades do seu plano de governo?

O primeiro desafio é fazer o arranjo da máquina administrativa, fazer esse enxugamento. Romper com esse modelo que traz para dentro do governo pessoas ineficientes que atendem os padrinhos políticos e não o estado que paga o salário. Isso tem que acabar porque custa um enorme preço para a sociedade brasileira. Quando fui eleito senador pela primeira vez a carga tributária era de 24%, hoje é 40% do PIB.

Depois, temos que dar conta de problemas que es tão na estatística negativa do estado, como a segurança (…). Na nossa proposta estamos falando em modernização e em um investimento muito vigoroso na inteligência da polícia. Eu ouço falar em integração da polícia desde que eu faço o ginasial, e faz muito tempo. Essa integração não é só das polícias, é com a comunidade e é aí entra o governador, que tem que comandar esse processo.

Outro problema que não dá para ficar sem um projeto bem diferente do que está aí é a saúde. Os hospitais regionais estão funcionando meia boca, porque chega a 30% da capacidade. Se você fizer convênio com empresas privadas e der a elas condições para elas, colocando profissionais de saúde, e cobrando metas, vamos ter um atendimento muito melhor. Isso falando de forma muito resumida.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="527778" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]