Ex-diretor da Alep é preso suspeito de extração ilegal de madeira

Mariana Ohde


Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

O ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Abib Miguel, o Bibinho, foi preso na sexta-feira (17), em Curitiba. Ele é suspeito de integrar uma quadrilha que atua com extração ilegal de madeira, no interior do estado.

O caso é investigado na Operação Castor, deflagrada no dia 13 de novembro. A polícia investiga a extração ilegal de madeira em propriedades de Abib Miguel. Quando a operação foi deflagrada, o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), também cumpriu mandados de busca e apreensão em empresas e residências do prefeito de Rio Azul, Rodrigo Solda.

De acordo com o diretor do Gaeco, promotor Leonir Battisti, o imóvel onde a madeira foi retirada está sob constrição judicial, ou seja, sequer poderia ser utilizado.

Abib deve ser encaminhado para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Acusações

A Operação Castor é um desdobramento da Operação Argonautas, deflagrada em 2014, quando o ex-diretor foi preso pelo Gaeco em Brasília, no momento em que recebia cerca de R$ 70 mil do administrador de suas propriedades no estado de Goiás.

Em 2015, ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná junto com outras doze pessoas por envolvimento em desvios de dinheiro público do legislativo estadual – caso que ficou conhecido como Diários Secretos. Segundo a investigação, entre 1997 e 2010 foram desviados mais de R$ 216 milhões (em valores atualizados) envolvendo a contratação de, pelo menos, 97 funcionários fantasmas pela Alep.

Os recursos desviados eram “lavados” através da aquisição de imóveis urbanos e rurais, em nome do próprio ex-diretor e de seus familiares, em vários estados do país, e de sua posterior exploração – agrícola ou extração de madeira ou minérios, por exemplo.

Na denúncia, foram descritos pelo menos 60 imóveis utilizados no esquema, localizados no Paraná, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo. Elas estão sob sequestro judicial por ordem da 4ª Vara Criminal de Curitiba

Condenações

Bibinho tem duas condenações por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Porém, as sentenças foram anuladas pelo Tribunal de Justiça e as ações criminais voltaram para a primeira instância, ainda em trâmite para julgamento. Ele aguarda os julgamentos em liberdade. Abib é alvo de dois processos – dois pelos desvios na Alep e um decorrente da Operação Argonautas, quando foi preso transportando dinheiro.

Também foram condenados pela participação no esquema de desvios os ex-diretores José Ary Nassif (Administrativo) e Cláudio Marques da Silva (Pessoal) – eles eram os responsáveis por efetuar as contratações irregulares. Os ex-diretores foram condenados formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal