Operação combate fraudes em registros sindicais e mira três deputados

Mariana Ohde e Assessoria

PF realiza buscas em gabinetes de três deputados acusados de fazer parte do esquema criminoso
PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (30) a operação Registro Espúrio, que mira um esquema criminoso de fraudes no sistema de registro sindical junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

São oito mandados de prisões preventivas, 15 de prisões temporárias e 64 de busca e apreensão cumpridos pela PF e Ministério Público Federal (MPF) em cumprimento à determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cerca de 320 policiais federais cumprem os mandados no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. A operação recebeu o nome de Registro Espúrio.

Entre os alvos da operação estão os gabinetes dos deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB). Ambos os partidos – PTB e Solidariedade – são acusados de “lotear” o ministério. Também são alvos da mesma medida as sedes nacionais de dois partidos políticos e de centrais sindicais.

Segundo a PF, as investigações, que já duram um ano, mostraram “um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho, com suspeita de envolvimento de servidores públicos, lobistas, advogados, dirigentes de centrais sindicais e parlamentares”.

Segundo o MPF, na petição enviadas ao STF, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, explicou que, no decorrer do inquérito, a PF identificou a existência de um esquema criminoso estruturado em cinco núcleos de atuação: administrativo, político, sindical, captador e financeiro.

Também são mencionados, como exemplo, das fraudes, pagamentos que envolviam valores que chegaram a R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical.

Desde 2017, parte dos integrantes do grupo criminoso responde a uma ação por improbidade administrativa em andamento na Justiça Federal, em Brasília.

“Cerca de dez servidores da pasta integram o núcleo administrativo, que tinha a incumbência de viabilizar as fraudes que incluíam o desrespeito à ordem cronológica dos requerimentos e o direcionamento dos resultados dos pedidos. Já o núcleo político, era formado por parlamentares e ex-parlamentares que atuavam indicando e mantendo em cargos estratégicos da Secretaria de Relações do Trabalho do MTE os servidores que faziam parte do esquema. Aos integrantes do núcleo sindical cabia fazer o contato com os funcionários públicos encarregados de operacionalizar as fraudes”, informa o MPF.

O quatro segmento identificado pelos investigadores era o captador: lobistas e advogados que faziam a intermediação entre os sindicados interessados em registros com os demais integrantes da organização criminosa.

O esquema se completava com a atuação do núcleo financeiro que viabilizava os pagamentos (das entidades sindicais para os envolvidos) por meio da simulação de contratos fictícios de trabalho.

O material recolhido na operação dessa quarta-feira será analisado posteriormente pelos investigadores.

São investigados crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.

Previous ArticleNext Article
Repórter no Paraná Portal
[post_explorer post_id="526845" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]