Economista contratado pelo governo planeja crescimento de 4% ao ano para o Paraná; oposição discorda

Francielly Azevedo - CBN Curitiba



O economista Paulo Rabello apresentou, nesta segunda-feira (18), aos deputados estaduais do Paraná, um estudo sobre um Plano de Metas do Governo do Estado. O trabalho deve integrar o projeto que cria a Lei de Eficiência em Gestão.

Entre as metas de eficiência estão: fazer o Estado crescer 4% ao ano; criar 500 mil vagas de emprego até 2022; e investir R$ 80 bilhões até 2023, sendo R$ 40 bilhões no setor público e R$ 40 bilhões no setor privado.

O economista acredita que a receita para isso é investir em capital humano desde a educação infantil. “É, antes de mais nada, aumentar a eficiência do povo, como um todo, e não só do governo”, disse.

Rabello já foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O economista coordenou a elaboração do plano com métricas e indicadores para avaliar a gestão do Estado. Ele classificou que o Paraná é um dos estados mais preparados para se tornar exemplo.

“O estado do Paraná está preparado para fazer o maior programa de investimento de todos os tempos, bastando uma pequena economia entre este ano e o próximo, que não resultará em nenhuma perda, pelo contrário, o fortalecimento da futura base de receita fiscal do estado”, disse. “No Paraná, a partir de agora, eficiência é lei”.

O secretário-chefe da Casa Civil, Guto Silva, ressaltou que é necessário medir as ações do governo, por isso a contratação dos serviços do economista. “A lei propõe justamente isso, uma lei moderna, inovadora, que propõe um marco para que o estado possa, através de métricas, acompanhar seu próprio desempenho. Pra ver se aquele recurso está sendo gasto com equilíbrio, eficiência, e sobretudo se está gerando resultados para a população”, disse.

Já a oposição “torceu o nariz” para a iniciativa. O deputado Requião Filho (MDB) disse que tem medo dos planos mirabolantes. “Ele deve ter partido de uma premissa errada. Não temos previsão de crescimento tão grande em nenhum estado do país. O cenário mundial não apresenta tanto otimismo. Tenho medo desses planos encomendados por pessoas que não conhecem a realidade do estado”, disse. “Esse achismo é perigoso. Entendo a vontade do governo de ter notícias positivas, pautas positivas, mas não podemos vender terreno na lua”.

A ideia é que todos os deputados participem da construção do projeto de lei. Requião Filho espera que a oposição possa participar efetivamente. “Quero saber se nossa opinião será levada a sério. Se nossas sugestões serão acatadas, porque nós, da oposição, temos a liberdade de dizer ‘não’ para o que é ruim e ‘sim’ para o que é bom”, enfatizou.

A garantia foi dada pelo líder do governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD). “Todos os deputados foram convidados. E vai ser sempre assim. Projetos que entendemos que terão esse impacto, queremos a participação de todos os deputados, não importa o partido, corrente. Esse é o primeiro lema”, disse. A proposta prevê a criação de um comitê de inovação com a ampla participação da Assembleia Legislativa.

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